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Itália não baixa os braços

A procura por materiais de elevada qualidade, numa Itália em recessão, tem abrandado, mas as empresas têxteis do país, na sua maioria de gestão familiar, estão a unir-se para atrair clientes de longe, suportados pela popularidade renovada do “Made in Italy”. Os números são certamente sombrios: uma em cada quatro empresas do sector corre o risco de fechar, de acordo com o referido por Valeria Fedeli da federação do têxtil, energia e fabricação Filctem Cgil, em parte devido aos elevados preços da energia em Itália. A dependência de 90% do país em relação ao gás natural importado significa que as empresas pagam uma das faturas mais altas de energia elétrica na Europa – até 40% mais do que os concorrentes – e o sector tem repetidamente pedido ajuda ao governo. «É um enorme problema, estamos fortemente penalizados por custos de energia não sustentáveis. Estamos todos a tentar superar a crise, mas é difícil competir», considera Rodolfo Botto do centro de processamento têxtil de Biella no norte da Itália. As receitas do sector de moda estão previstas cair 5,6% em 2012, à medida que a procura interna diminui. Além disso, as exportações de têxteis baixaram 5,0% no primeiro trimestre, de acordo com a federação nacional do têxtil e vestuário (SMI). Mas a Itália continua a ser o maior exportador mundial de lã e o segundo maior exportador de lençóis e sedas, e as empresas em todo o país têm a esperança de atrair compradores entre os consumidores de moda fora da Europa. Da China à Rússia, Brasil e África do Sul, a crescente sofisticação entre os consumidores de moda tem levado a uma maior procura pela qualidade artesanal da Itália. Enquanto a China costumava ser vista como uma grande ameaça para a indústria – produzindo vestuário de forma rápida e barata – está agora cada vez mais a optar por importar lã, sedas e linhos produzidos por fiações e tecelagens italianas especializadas. A procura pelos tecidos italianos em algodão e lã aumentou 3,7% no primeiro trimestre – com a China e Hong Kong entre os quatro principais compradores – e as exportações de fios penteados de algodão e lã caíram apenas ligeiramente (-0,2%). «Os têxteis estão a sofrer, mas a lã, em geral, tem-se mantido muito bem. A China costumava significar desastre, mas agora pode oferecer uma saída para a crise», afirma Botto. O aumento na procura por lãs, como merino, caxemira e mohair, tem sido impulsionado pelo regresso dos tecidos à passerelle: Prada, Gucci e Armani, entre outros, incluíram a lã nas suas coleções de Outono/Inverno 2012-2013. Enquanto algumas empresas esperam estabelecer-se como os principais fornecedores no exterior, existem outras, pequenas e familiares, que não têm recursos para tal. A resposta para algumas foi a união. O Wool Combing Centre em Verrone aumentou a visibilidade do “Made in Italy” através das empresas Loro Piana, Marzotto e Zegna, especialistas em fatos de caxemira sob medida. Michela Loberto, uma designer em ascensão que apresentou o seu trabalho na recente Semana da Moda de Milão, revelou ter usado lã merino nos casacos da sua coleção, elogiando o facto de tratar-se de um tecido mais amigo do ambiente. «A crise está em toda parte, mas eu acho que a indústria é forte e vai sobreviver. Quem mais pode competir com a experiência do “Made in Italy”?», defendeu a designer.