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iTechInovcar põe carros mais inteligentes

A visão de um automóvel como o célebre Kit, da série televisiva dos anos 80, está mais próxima da realidade, graças ao projeto iTechInovcar, que desenvolveu soluções inovadoras de iluminação e sensorização para o interior dos veículos, numa investigação que juntou a Simoldes, o CeNTI e o Citeve.

João Gomes e Miguel Gonçalves

O projeto – um dos muitos que têm o cunho dos investigadores do CeNTI (ver Inovação “made in” CeNTI) – não deu voz ao automóvel, mas tornou-o mais inteligente.

Com apenas um ano de duração (entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015), o iTechInovcar, sobre o qual foi submetido um pedido de patente, desenvolveu sensores de aproximação e sistemas de iluminação LED (light-emitting diode) incorporados nos revestimentos têxteis de determinadas componentes do interior automóvel, criando funcionalizações até então inexistentes – o que mereceu o reconhecimento internacional com a atribuição do FESPA Gold Award – Innovation Product 2015.

«Este projeto de desenvolvimento tinha duas fases: uma era a integração de tecnologia de sensorização invisível, portanto, eletrónica invisível numa peça, em que temos interatividade com o sensor que foi colocado, tendo como feedback a iluminação; e depois outra com lâmpadas eletroluminescentes, que são uma coisa maravilhosa para o futuro», explicou João Gomes, diretor de operações do CeNTI, num artigo publicado na edição de outubro do Jornal Têxtil.

A novidade, sublinhou o investigador Miguel Gonçalves, é a introdução de «uma etiqueta tecnológica, impressa com tintas condutoras, e, pegando numa tecnologia que já é conhecida na Simoldes – chamada “in mold labelling” (IML), que é a colocação de uma etiqueta nas peças de plástico – e no conhecimento do CeNTI em impressão eletrónica, criar esta interatividade diretamente na peça do cliente».

O desenvolvimento foi efetuado diretamente na linha de produção da Simoldes e, embora em termos de custos, as peças sejam mais caras do que na produção convencional, em termos globais pode vir a significar uma redução no preço final.

«Por exemplo, numa consola central temos quatro a cinco moldes e depois precisamos de moldes mais pequenos para fazermos os botõezinhos todos que estão na consola. Possivelmente, fica-nos mais barato fazer uma só que tenha todas as funcionalidades já integradas», exemplificou João Gomes. «A ideia é reduzir o peso, reduzir o número de moldes e reduzir o número de peças e de processos que temos que fazer depois para a assemblagem da consola ou de todos os botõezinhos que estão na consola», acrescentou.

«É colocar o elevado valor acrescentado nestas peças, reduzir o número de componentes que precisamos de injetar, reduzir o peso e aumentar o valor acrescentado naquela peça feita convencionalmente em Portugal», resumiu o diretor de operações do CeNTI.

Segurança em equação

Para além da interatividade, o projeto, que teve um investimento de 595 mil euros, resultou também numa característica de segurança, quando incorporado no pilar do para-brisas do lado do condutor.

«A ideia é ter uma câmara fora do carro que nos permita monitorizar o espaço dos ângulos mortos em função daquilo que é a orientação do olho do condutor. Quando o condutor olhar para o pilar, o sensor LDR [Light Dependent Resistor] que está dentro do carro, monitoriza que está a olhar para aquela direção e transmite a imagem num display, que está integrado, do que está para lá do pilar, portanto, o pilar desaparece. Quando voltar a olhar para a estrada, ele volta a aparecer», esclareceu João Gomes.

Apesar do projeto ter terminado e da patente ser da Simoldes, o CeNTI continua envolvido «em toda a tecnologia, na resolução dos problemas, a disseminar os resultados em feiras para as quais nos deslocamos com os demonstradores e a tentar encontrar possíveis oportunidades de negócio», revelou João Gomes.

«Continuamos com o compromisso com a Simoldes em transferir a tecnologia para a linha produtiva, ajustando àquilo que será a peça final pedida pelo construtor e estamos envolvidos em mais projetos para fazer essa adaptação», acrescentou.

Já no âmbito do Portugal 2020 – o projeto original foi financiado pelo Qren –, a Simoldes e os parceiros estão a equacionar possíveis evoluções da tecnologia «para outro tipo de componentes, para outro tipo de peças e já com a participação dos construtores, que querem ter um papel ativo na definição dos resultados – essencialmente estão interessados em verificar se podemos começar já a pensar num veículo específico», desvendou João Gomes.