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ITMA decepciona industriais portugueses

Industriais dos lanifícios portugueses, concretamente das empresas Famir-Têxtil Fábrica Mirrado, da A. Saraiva e da Fábrica de Lanifícios Morgado, deslocaram-se a Birmingham, Inglaterra, para visitar a ITMA, a maior feira internacional de máquinas e acessórios para a indústria têxtil, a decorrer até amanhã, 29 de Outubro. Segundo Manuel Mirrado Canas, sócio-gerente da Famir-Têxtil Fábrica Mirrado, esta ITMA não apresentou grandes novidades. «A nível da fiação e cardação não havia nada de novo. Em tecelagem, a grande evolução registou-se nos teares Jacquard. E em ultimação, chamou-me a atenção as lavadeiras, que trabalham a seco, o que representa inúmeras vantagens económicas e ecológicas», revela. «Ficou evidente na ITMA o fenómeno das fusões, quer entre grandes grupos europeus – por questões de maior competitividade ou até mesmo de sobrevivência das empresas envolvidas -, quer destes com empresas asiáticas, nomeadamente chinesas – para facilitar a entrada em novos mercados», afirma. Manuel Mirrado sublinha que o facto que mais o marcou nesta feira foi «a grande presença de maquinaria turca, chinesa e indiana, o que revela que também os fabricantes de máquinas estão a deslocalizar-se». Por seu lado, Baltazar Lopes, comercial da Fábrica de Lanifícios Morgado, também ficou decepcionado com esta mostra. «Estava à espera de ficar de “boca aberta” com as máquinas expostas e não fiquei. Efectivamente, em termos de novidades não houve nada que me deixasse perplexo», declara. «Gostei muito dos stands da tecelagem. Os de ultimação também me pareceram bem. Em contrapartida, achei a área da fiação bastante fraca». A este último facto provavelmente não será alheio a Rieter e a Saurer, dois nomes fortes em tecnologia da fiação, que primaram pela ausência. Baltazar Lopes destaca que «os maiores desenvolvimentos apresentados foram ao nível da informatização dos equipamentos». «A actual conjuntura desfavorável também se reflectiu nesta ITMA. A afluência em termos de visitantes foi fraca, pelo menos nos dois primeiros dias. E em termos da qualidade dos expositores, achei inferior à da última ITMA, em Paris», revela Nuno Saraiva, director financeiro da A. Saraiva. «As novidades foram escassas e as perspectivas são pouco animadoras», acrescenta. Nuno Saraiva realça também a forte presença chinesa que, embora apresentando uma tecnologia tradicional, mostra potencialidades para, dentro de poucos anos, igualar a tecnologia europeia. «No entanto, ficou patente que os chineses não são fortes a inovar, mas sim a imitar».