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ITV americana sofre com a concorrência

O ano fiscal de 2004 foi para grande parte das empresas têxteis americanas um sinal dos desenvolvimentos que ocorreriam com o final das quotas sob os artigos importados da China com início em 2005. Nos anos anteriores, as limitações de importações relativas a vários grupos de produtos já tinham sido diminuídas e o ano de 2004 revelou ao sector as primeiras pistas de “ventos adversos”, e não propriamente fracos.

Entre as medidas mais relevantes adoptadas pelas empresas têxteis na altura estava um rígido controlo dos custos. Despedimentos, reestruturações e a deslocalização da produção para países de baixo custo foram para muitos empresários têxteis americanos no ano de 2004 uma parte do dia-a-dia de negócios. A Sara Lee Branded Apparel anunciou em Junho de 2004 o encerramento das suas unidades próprias das Honduras, México e Porto Rico e o consequente despedimento de 2.400 trabalhadores. O negócio europeu de moda íntima da empresa registava nos últimos anos uma contínua descida do volume de negócios e em meados deste ano a empresa anunciou “alternativas estratégicas” para este ramo da empresa. A Sara Lee Branded Apparel Europe foi vendida à filial londrina da empresa americana de investimento, Sun Capital Partners, enquanto que as divisões americanas e asiáticas da Sara Lee Branded Apparel deverão em meados de 2006 separar-se da empresa mãe, passando a constar da bolsa de valores com o novo nome Hanesbrands Inc.

Oportunidades de poupança

Apesar de medidas de controlo de custos muito rígidas somente nos últimos anos entre as maiores empresas têxteis americanas quatro empresas tiveram de recorrer à protecção de credores ao abrigo do capítulo11 da lei de falências dos EUA.  A protecção oferecida por esta lei permite à empresa “libertar-se” da pressão exercida por bancos e outros credores enquanto tenta reestruturar-se e adaptar-se ás novas condições do mercado. O objectivo é tornar a empresa viável e assegurar os postos de trabalho a longo prazo. É necessário não esquecer que a redução da força de trabalho está entre as primeiras medidas de redução de custos.

Entre as empresas afectadas está a especialista de roupa de cama e toalhas WestPoint Stevens. A empresa esteve sob a protecção de credores entre Junho de 2003 e Junho de 2005, tendo sido vendida em Junho de 2005 por 703 milhões de dólares à American Real Estate, propriedade do multimilionário Carl Icahn. No enquadramento da sua reestruturação a empresa encerrou em 2004 as suas unidades próprias em Alabama e Georgia despedindo cerca de 1.000 trabalhadores. O início de 2005 foi testemunha da eliminação de cerca de 2.500 postos de trabalho a nível mundial. Com o objectivo de conseguir a longo prazo concorrer no mercado de segmento mais acessível a WestPoint Stevens anunciou em Abril de 2004 a abertura de um escritório de sourcing, em Xangai.

Um outro exemplo do panorama negativo é a Dan River Inc, também em 2004 sob a protecção de credores, cujo processo de reestruturação incluiu a venda de alguns bens e 700 despedimentos.

A empresa têxtil americana Galey&Lord, entretanto com a nova denominação Galey&Lord Swift Denim, surpreendeu o sector há alguns meses atrás, depois de em Março de 2004 ter saído do programa de protecção de credores, com um novo pedido de entrada nesse mesmo programa. O objectivo desta vez é assegurar a sua aquisição por parte da Patriarch Partners LLC. Também esta empresa aponta como principal responsável dos seus contínuos problemas à forte concorrência de países estrangeiros de baixo custo.

A empresa especializada em têxteis técnicos e têxteis para o sector automóvel e de vestuário, Guilford Mills, já tinha abandonado o programa de protecção de credores em Outubro de 2002, tendo sido adquirida no início de 2004 pela New Yorker Investmentfonds Cerberus Capital Management. O preço da aquisição de cerca de 100 milhões de dólares pago pela Cerberus inclui algumas dívidas cobráveis e obrigações financeiras elevando assim o valor de aquisição, de acordo com as estimativas do sector, para 250 a 300 milhões de dólares.

A Mohaw Industries, especialista em têxteis-lar e tapetes comprou no final de 2003 a Lees Carpets, propriedade da Burlington Industries, conseguindo em 2004 um feito pouco habitual no sector, um aumento do volume de negócios.

A Russell Corporation deve o seu crescimento sobretudo a aquisições. A descida de 0,5 por cento do volume de negócios resulta da diferença entre o dólar e o euro. Depois da empresa em Março de 2003 ter adquirido a empresa de artigos desportivos Spalding Sports Worldwide, seguiram-se em Junho de 2004 a American Athletic, em Julho de 2004 a Huffy Sports e em Dezembro de 2004 a Brooks Sports. No ano fiscal de 2004, «empresas que pertencem à Russel Corporation há menos de um ano contribuíram com 22 milhões de dólares para o volume de negócios da empresa», de acordo com o relatório anual.

Crescimento diminuto

Foram poucas as empresas que registaram um crescimento no último ano. A empresa de vestuário Warnaco Group, conseguiu aumentar o seu volume de negócios relativo a têxteis devido à introdução de novas linhas, como por exemplo a colecção de moda íntima da cantora e actriz Jennifer Lopez e à colecção deste segmento da Calvin Klein, Choice Calvin Klein, mas para tamanhos bem grandes. O grupo lucrou ainda com a nova licença de swimwear de Michael Kors para a colecção com o seu nome e também para uma segunda colecção, Michael Michael Kors.

Para além destas estratégias a empresa expandiu-se no retalho com a marca Calvin Klein na América do Norte, Europa e Ásia. A empresa registou igualmente um crescimento bastante positivo internacionalmente. «O negócio internacional de moda íntima, em particular com as marcas Calvin Klein Underweare e Lejaby, foi responsável no ano fiscal de 2004 por 27 por cento dos ganhos líquidos e 35 por cento dos ganhos operacionais do grupo», segundo o que consta do relatório anual.