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ITV arrefece no Vietname

O Vietname registou um aumento das exportações de têxteis e vestuário nos primeiros oito meses do ano, mas a um ritmo menor do que no passado. A diminuição da procura mundial e a subida do salário mínimo são alguns fatores que estão a afetar a competitividade do país, que regista o menor crescimento desde 2010.

Os números da Vietnam Cotton and Spinning Association (Vcosa na sigla original), citados pelo website Vietnam Breaking News, mostram que o país exportou artigos têxteis e vestuário no valor de 18,7 mil milhões de dólares (16,75 mil milhões de euros) de janeiro a agosto, o que representa um aumento de 4,4% face ao mesmo período do ano passado.

O vice-presidente do conselho de administração da Vcosa, Nguyen Hong Giang, sublinhou, contudo, que o crescimento abrandou em comparação com os anos anteriores, sendo o mais baixo desde 2010, e que está abaixo das expectativas devido à falta de encomendas e à diminuição da procura nos mercados internacionais.

Segundo a associação, a diminuição no número de encomendas resulta ainda do aumento da concorrência de rivais como a China, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Camboja e Myanmar, com estes dois últimos a beneficiar de incentivos fiscais nos envios para a UE, o que torna os seus produtos ainda mais competitivos.

«Recentemente visitei várias empresas de vestuário em Ho Chi Minh City e os trabalhadores nestas unidades comentaram que nas últimas duas semanas não houve encomendas, já sem falar em horas extraordinárias. Por isso, como se pode ver, a atividade de exportação está muito difícil», afirmou Pham Xuan Hong, presidente da HCMC Association of Garment­Textile­Embroidery­Knitting (AGTEK), durante a sua intervenção na apresentação da 16.ª edição da Feira Internacional da Indústria Têxtil e Vestuário do Vietname.

De acordo com a Vietnam Textile and Apparel Association, apenas cerca de 30% das empresas de vestuário têm encomendas para exportação suficientes até ao final do ano. Pham Xuan Hong indicou mesmo que esta é a primeira vez em 10 anos que a indústria vietnamita enfrenta falta de encomendas.

«Na atual situação difícil, a solução imediata é o foco no mercado doméstico, tal como recomendado pelos especialistas. Para competir a longo prazo, as empresas têm de investir em equipamentos modernos, selecionar bons materiais, reduzir os custos de produção e focarem-se nos contratos free-on-board [em que a responsabilidade é do vendedor até à entrega no navio de transporte]», explicou Hong, citado pelo just-style.com.

A Vcosa, contudo, insiste que o sector têxtil e vestuário do Vietname continua a ser atrativo para os investidores estrangeiros. Citando um estudo recente da US Fashion Industry Association (USFIA), cerca de 68,8% dos retalhistas e marcas estrangeiras preferem investir no Vietname em vez de na China ou no Bangladesh. No primeiro semestre deste ano, segundo a The Economist, o investimento direto estrangeiro no Vietname atingiu 11,3 mil milhões de dólares, um aumento de 105% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar do abrandamento da economia mundial.

O governo está, de resto, a endividar esforços para se assegurar que o Vietname continua a atrair investimento local e internacional. O Ministério da Indústria e do Comércio do Vietname tem propostas em cima da mesa para desenvolver grandes zonas industriais de têxteis e vestuário para atrair investimento para a produção de tecido e fio, assim como para unidades de tingimento. O Estado está ainda a desenvolver as infraestruturas rodoviárias para ligar estas zonas aos centros logísticos e aos principais portos, numa tentativa de reduzir o custo do transporte. A província central Thua Thien-Hue está a investir mais de 6,6 biliões de dongs (cerca de 265 milhões de euros) para se transformar num centro de produção de têxteis e vestuário.

Em 2015, as exportações de vestuário do Vietname ultrapassaram 27 mil milhões de dólares, tendo ficado acima da meta de 20 mil milhões de dólares projetada para 2020.

O país deverá ser um dos maiores beneficiários da Parceria Transpacífico e deverá ganhar um maior acesso ao mercado europeu quando o acordo de comércio livre com a UE entrar em vigor, algo que deverá acontecer em 2018.

Para 2016, o objetivo das exportações era, inicialmente, de 31 milhões de dólares, mas o Ministério da Indústria e do Comércio reviu o valor em baixa, para 29 mil milhões de dólares, que Hong afirma ser um objetivo ainda «muito difícil» de atingir. Para além da crescente concorrência e do abrandamento da procura, o aumento de 7,3% no salário mínimo e a nova regulamentação sobre as inspeções está a pressionar os produtores vietnamitas.