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ITV beneficia do acordo entre UE e Canadá

Um ano depois da assinatura do acordo de livre comércio CETA, os resultados são já visíveis, com as exportações da indústria do vestuário da União Europeia a aumentarem 11%, segundo os dados mais recentes.

O dia 21 de setembro marcou o primeiro aniversário do início da aplicação provisória do acordo de livre comércio CETA (acrónimo, em inglês, de “Comprehensive Economic and Trade Agreement”). Estima-se que a União Europeia (UE) tenha poupado cerca de 590 milhões de euros em taxas nos produtos exportados para o Canadá. Em relação ao sector têxtil, pôs-se fim a taxas até 18%, que foram anteriormente impostas pelo Canadá.

Além de ter removido praticamente todos as taxas alfandegárias, o CETA deu um impulso ao clima de negócios entre a Europa e o Canadá, revela a Comissão Europeia, na medida em que proporcionou segurança jurídica às empresas europeias que pretendiam exportar. Ainda que seja demasiado cedo para se chegar a conclusões, os resultados iniciais da Comissão Europeia apontam na direção certa. No entanto, o CETA só entrará em funcionamento a 100% quando todos os membros da UE validarem o acordo – um processo que pode durar vários anos.

Pela UE, as últimas estatísticas disponíveis, referentes ao período entre outubro de 2017 a junho de 2018, sugerem que as exportações cresceram cerca de 7% anualmente e há certos sectores que estão a ser especialmente bem sucedidos, nomeadamente o calçado e o vestuário, que aumentaram as exportações em 8% e 11%, respetivamente.

Expetativas e resultados

August Bard Bringéus

A marca online sueca Asket está a preparar-se para colher os benefícios das reduções nas taxas. «À medida que crescemos como empresa, estamos, cada vez mais, a olhar para fora do mercado europeu. Contudo, as taxas no vestuário dificultam-no, sendo mais caro para os clientes», explica August Bard Bringéus, cofundador da marca. «Ao abrirmo-nos a mercados estrangeiros, como Canadá, Coreia do Sul e Japão, os acordos comerciais tornam os produtos mais competitivos nesses países. Acabámo-nos de registar junto das autoridades alfandegárias suecas e estamos ansiosos por enviar a nossa primeira encomenda para o Canadá livre de taxas», adianta Bringéus.

Já a Graffeo Cravatte, produtora italiana de gravatas, começou a negociar com o Canadá há quatro anos e agora opera com três distribuidores locais no país.  As exportações da empresa para o Canadá representam atualmente 7% do seu volume de negócios.

Cecilia Malmström

A Comissão Europeia refere que o acordo oferece melhores condições aos prestadores de serviços, mais mobilidade para os trabalhadores e uma estrutura que permite o reconhecimento mútuo das qualificações profissionais, de arquitetos a operadores de gruas. «O acordo de livre comércio entre a UE e o Canadá está em funcionamento há um ano e estou satisfeita com o progresso até ao momento», afirma a Comissária Europeia para o Comércio, Cecilia Malmström. «Os dados iniciais demonstram que há muito para celebrar, mesmo nesta fase. As exportações estão em alta de forma geral e muitos sectores evidenciam subidas impressionantes. Estas são ótimas notícias para as empresas europeias, grandes ou pequenas. Como acontece sempre com este tipo de acordos, há certas áreas nas quais temos que ter a certeza que implementamos completamente o que foi acordado, garantindo que os cidadãos e as empresas podem beneficiar das novas oportunidades. Estou feliz por dizer que a nossa parceria com o Canadá está mais forte que nunca – tanto estratégica como economicamente. Juntos, estamos a defender um comércio internacional aberto e regulamentado. O CETA é uma demonstração clara disso mesmo», conclui a Comissária Europeia para o Comércio.