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ITV brasileira adopta medidas de contenção

Empresários e funcionários da indústria têxtil de São Paulo, responsável por 40% da produção brasileira, estão a adoptar mecanismos para a contenção de custos, como a redução do horário laboral, para evitar a eliminação de postos de trabalho. Entre as principais causas apontadas pelos responsáveis sectoriais para a diminuição das exportações, é referida a concorrência exercida pela China, as taxas de juro e as diferenças cambiais.

De acordo com o Presidente do sindicato têxtil de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Rafael Cervone, a taxa de contratações no sector está a evidenciar sinais de abrandamento. A Indústria Têxtil e de Vestuário (ITV) brasileira registou uma forte evolução no número de postos de trabalho gerados durante 2004, registando-se actualmente uma tendência decrescente, de acordo com a opinião de Cervone.

De acordo com os dados divulgados pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), registo permanente de admissão e dispensa de empregados instituído pelo Governo brasileiro, tem-se registado uma diminuição na diferença entre o total de contratações e despedimentos verificados nos sectores têxtil e de vestuário.

Durante o mês de Junho, a diferença registada entre contratações e despedimentos foi cerca de 3.000 postos de trabalho, por oposição aos 5.352 de Maio e os 7.110 registados em Abril. Esta diminuição torna-se ainda mais notória ao comparar-mos os cinco primeiros meses de 2005, com uma diferença agregada de 28.231 postos de trabalho, relativamente aos 37.849 registados em igual período de 2004.

Face a esta situação, o Presidente do Sindicato dos Têxteis de São Paulo, Sérgio Marques, alertou para a necessidade de implementação de medidas de salvaguarda sobre as importações de têxteis com origem na China, à semelhança do que foi feito por diversos países.

De acordo com o divulgado pela ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), as exportações de têxteis e de vestuário apresentaram uma queda no mês de Junho, relativamente a igual período de 2004. De acordo com os dados da ABIT, o sector exportou 144 milhões de dólares durante o mês de Junho, reflectindo uma quebra de 6% em relação aos 153,1 milhões dólares registados em Junho do ano anterior. O saldo da balança comercial também apresentou uma sensível diminuição: o valor foi de 22,6 milhões de dólares, reflectindo uma queda de 31,3% em comparação ao mesmo período.

De acordo com a associação sectorial, o motivo desta queda nas exportações é reflexo da valorização do real em relação ao dólar, que se tem registado durante os últimos meses.

Segundo o “diretor-superintendente” da ABIT, Fernando Pimentel, a desaceleração ocorre principalmente em função da valorização do real frente ao dólar, que atingiu 28% nos últimos 12 meses e 10% nos seis primeiros meses do ano. «A valorização cambial diminui a remuneração do exportador e dificulta tanto o ingresso de novas empresas no mercado externo quanto a expansão dos negócios de quem já vende para fora», afirma Pimentel.

De Janeiro a Junho de 2004 foi registrado um saldo acumulado na balança comercial de 213,2 milhões de dólares, um aumento de quase 30% relativamente a igual período de 2004. Segundo a ABIT, as exportações de têxteis e vestuário nestes primeiros seis meses somaram 948,4 milhões de dólares contra os 873,6 milhões de dólares anteriores, um crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período no ano anterior.