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ITV com estratégia

A abertura oficial da 16.ª edição do Fórum da Indústria Têxtil ficou a cargo de João Costa, presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e do Fórum da Indústria Têxtil, que perante o Ministro da Economia, António Pires de Lima, e cerca de 300 empresários, reafirmou a importância da indústria têxtil e vestuário na economia do país. «Este sector representa ainda cerca de 10% das exportações, 20% do emprego na indústria transformadora e é um sector que tem ainda um papel muito relevante na economia», apontou, referindo ainda «deve ultrapassar os 4,5 mil milhões de euros de exportações, valor que já não tinha desde 2004». Uma avaliação confirmada na intervenção de António Pires de Lima. «O sector têxtil tem dado uma força importante, ajudando a abrir novos roteiros na exportação», sublinhou, dando como exemplos o crescimento sustentado das vendas em mercados como a América do Norte, a Escandinávia, África e Ásia. Algo que, acredita o Ministro da Economia, tem sido conseguido graças à cooperação entre universidades, empresas e administração pública. «É uma troika de sucesso que está a alavancar a competitividade portuguesa», referiu. O Plano Estratégico, da autoria de Ana Paula Diniz, Daniel Agis e Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, foi apresentado por este último, que fez o retrato da atual situação do sector, referindo que embora tenha perdido importância em termos relativos, «tem vindo a crescer em termos de emprego e exportações». O sector está ainda mais homogéneo, mais estruturado e concentrado na região Norte, à volta dos concelhos do Vale do Ave, do Cávado e do Sousa, muito centrado ainda no seu ADN industrial, mostra-se indiferente ou desconfiado face aos centros de poder e constitui um “cluster” natural ou selvagem. Paulo Vaz referiu ainda os sete eixos estruturantes da mudança, que passam pela capitalização das empresas e financiamento da atividade, melhoria da gestão das organizações, competitividade para ser concorrencial à escala global, inovação, valorização dos recursos humanos, imagem e visibilidade do sector e empreendedorismo, e os três caminhos possíveis para a indústria têxtil e vestuário: aposta na moda, diversificação industrial e o “private label”. Quanto aos cenários futuros, descritos como “ouro”, “prata” e “chumbo”, o diretor da ATP e coautor do Plano Estratégico acredita que o cenário ouro – que aponta para 2020 a existência de 5 mil empresas, 100 mil trabalhadores diretos, 6,5 mil milhões de euros de volume de negócios, dos quais 5 mil milhões em exportações – «é mais possível hoje do que há cinco anos». A apresentação do Plano Estratégico foi seguida de um debate moderado por Júlio Magalhães, diretor do Porto Canal, subordinado ao tema “Construir um “Cluster” de Sucesso para a Indústria Têxtil e Vestuário Portuguesa”. Daniel Bessa, diretor da Cotec, foi o primeiro a intervir, mostrando-se menos otimista em relação ao futuro do sector. «Para mim, este sector tem um grande desafio: estamos aqui todos juntos, mas não há muito em comum. O sector passa por aprofundar as cadeias de valor de cada um», argumentou. «Podemos continuar juntos, mas vamos ter de fazer um trabalho cada vez mais especializado». Por seu lado, Alberto Castro, diretor do Gabinete de Estudos da Universidade Católica Portuguesa, mostrou-se mais otimista e considera que «o têxtil, o vestuário e o calçado estão aqui e de boa saúde. A certa altura começaram a ter um plano, uma estratégia e, mais do que ter, seguiram essa estratégia». Como tal, «havendo esta predisposição para o combate, o cluster da moda no sentido B2C não é um jogo que devamos dar por perdido à partida, porque há aí espaço», apontou. João Costa sublinhou que, dada a natureza, complexidade e diversidade produtiva do sector, «não podemos pensar em deixar o private label» e «o B2C nunca será a maior parte do negócio». No entanto, sublinhou, «este sector constitui um cluster completo», com os clientes a «encontrar tudo, das fiações ao produto final, numa área geográfica reduzida». No entanto, afirmou António Amorim, presidente do centro tecnológico Citeve, «para haver um cluster organizado é preciso haver a envolvência das empresas nos centros de competências e universidades», citando o papel do Citeve como motor de inovação. Já Piedade Valente, da Comissão Diretiva do Compete, destacou o «percurso notável» do sector e referiu a importância de «redes colaborativas» para a evolução da indústria, um fator que estará em destaque no próximo quadro de fundos comunitários. «Haverá instrumentos que vão apoiar as empresas na materialização das suas estratégias de inovação, aposta internacionalização e aqui as redes são importantes porque vão ajudar a criar dimensão», assegurou. O XVI Fórum da Indústria Têxtil terminou com a intervenção de Leonardo Mathias, Secretário de Estado e da Economia, que referiu a recuperação do sector têxtil e vestuário e da economia nacional como de extrema importância e exortou os empresários a não deixarem «de aproveitar as novas oportunidades que vão surgir com esta retoma».