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ITV contraria tendência

O ano de 2004 ficará marcado pela recuperação do PIB nacional para taxas de crescimento positivas. De acordo com o Boletim Económico de Dezembro, o Banco de Portugal manteve a anterior previsão para o crescimento do PIB em 2004, situando-o no ponto médio do intervalo de previsão (1,25%) face à queda de 1,3% de 2003.Todavia, é agora esperado um maior crescimento da procura interna (cerca de 1,75%, mais 0,75 p.p. que o ponto médio do intervalo de previsão apresentado em Junho) e, sobretudo, uma aceleração muito mais significativa das importações (cujo crescimento se situará em torno de 8%).

É neste contexto que o indicador de confiança se agravou na Indústria Transformadora pelo quarto mês consecutivo retornando para o nível registado em Maio de 2004. A evolução patenteada em Dezembro resultou, segundo o INE, do comportamento desfavorável da produção prevista e das apreciações relativas às existências de produtos acabados.

Na indústria têxtil e do vestuário o cenário foi ligeiramente distinto, as opiniões dos empresários registaram uma recuperação face ao mês anterior, interrompendo o movimento descendente iniciado em Outubro último.

A melhoria das perspectivas dos industriais foi visível quer no sector têxtil, quer no vestuário apesar de impulsionados por diferentes variáveis. Enquanto no têxtil o crescimento foi influenciado pela redução dos stocks e pela variação favorável dos preços previstos, parcialmente compensados pela redução da carteira de encomendas interna e externa.

No vestuário, a recuperação do sentimento empresarial, reflectiu a melhoria da carteira de encomendas externa (que atingiu um máximo de seis meses) e sobretudo da carteira de encomendas interna que vêm evidenciando uma tendência crescente no último trimestre tendo registado em Dezembro o melhor valor desde Novembro de 2001.

Relativamente ao comércio, o ano fechou com a queda da confiança no comércio por grosso prolongando o perfil descendente iniciado em Outubro e que contrasta com a constância do indicador no retalho.

Para a evolução do comércio por grosso concorreram não só as perspectivas relativas ao volume de negócios, assim como, o aumento das existências, a degradação sentida nos preços de venda na previsão da actividade.

Por fim e no que ao retalho concerne, a estabilidade do indicador ocultou a variação favorável na percepção do volume de vendas e nas existências totalmente anuladas pela degradação das demais variáveis, nomeadamente, da previsão da actividade, da actividade actual, dos preços de venda e das encomendas a fornecedores.