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ITV da América Central na rota do sourcing

A indústria de vestuário da América Central, em particular aquela localizada em El Salvador, Guatemala e Honduras, deve continuar a investir no crescimento e assegurar que todas as suas unidades de produção respeitam questões éticas e de segurança para que possam competir de forma eficaz contra o Vietname no que concerne ao acesso ao mercado norte-americano.

Um relatório recente do portal da especialidade Just-style intitulado “Central America strategic sourcing review – a focus on Guatemala, El Salvador and Honduras” analisa o potencial de aprovisionamento dos três destinos, dando particular revelo à competitividade futura da região quando a Parceria Trans-Pacífica (TPP) – que inclui o Vietnam – entrar em vigor.

A América Central tem-se assumido, desde sempre, um interessante destino para investidores do sector do vestuário. A região beneficia de acesso preferencial ao mercado norte-americano através do Central America Free Trade Agreement (CAFTA) que, em 2009, foi atualizado para incluir a República Dominicana.

Paralelamente, a proximidade com o mercado norte-americano, os custos mais baixos da mão-de-obra, as leis fiscais competitivas, o crescimento de zonas de livre comércio e os vários incentivos ao investimento na região ajudaram a que a indústria se assumisse como um dos principais geradores de receitas de exportação na região da América Central. No entanto, de acordo com a proposta da Parceria Trans-Pacífica, o Vietname deve transformar-se num concorrente direto dos países da América Central no acesso ao mercado dos EUA. Atualmente, a Guatemala, El Salvador e Honduras são os principais exportadores de vestuário da América Central, sendo que mais de 90% dessas exportações se destinam ao mercado norte-americano.

Ainda que alguns especialistas da região sejam da opinião de que a Parceria Trans-Pacífica não terá um impacto significativo no comércio com a América Central, outros estão convencidos de que uma quantidade significativa de negócios da região será deslocada para o Vietname. Ainda assim, cada um dos países (El Salvador, Guatemala e Honduras) tem planos de crescimento.

A Guatemala está disposta a focar-se na oferta de serviços flexíveis, inovação de valor acrescentado, design e desenvolvimento de produto. O foco de El Salvador é posicionar-se como um destino de oferta “pacote completo”, com fábricas de grandes dimensões verticalizadas, enquanto as Honduras estão à procura de expandir a sua oferta para novos mercados e implementar o Projeto Nacional de Desenvolvimento Económico 20/20.

O relatório, contudo, discute as questões de conformidade e assinala que apesar de as maiores fábricas nas três regiões terem várias certificações e mecanismos para abordar esta área, quase nenhuma tem um programa de transparência ou projeto do género. Várias têm certificações Worldwide Responsible Accredited Production (WRAP) e Customs-Trade Partnership Against Terrorism (C-TPAT), conforme exigido por alguns clientes dos EUA, mas as fábricas de menores dimensão, afirma o documento, estão longe de possui quaisquer formas de certificação.

«As empresas terão de resolver questões de segurança, bem como a segurança das instalações, com urgência, ou tomar a decisão de mudarem para novas instalações», explica a autora do relatório Rupa Ganguli, acrescentando que «os empresários de moda de topo estão conscientes dos padrões éticos e a maioria das fábricas está configurada segundo normas internacionais. Porém, os fabricantes de vestuário convencionais ainda precisam de resolver muitos desses problemas para evitar possíveis acidentes ou perigos para a saúde», temas que se vão revelar ainda mais pertinentes nos próximos cinco anos, uma vez que a concorrência deverá intensificar-se.