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ITV da Roménia em dificuldades

A indústria de vestuário da Roménia foi fortemente afetada pela pandemia de covid-19, devido à interrupção do fornecimento de matérias-primas da China e do envio de exportações para Itália. A pandemia está também a prejudicar a existência de mão de obra, que era já um problema para este centro de produção de proximidade.

[©Tanex]

Os esforços do governo da Roménia e do seu sector do vestuário para revitalizar a produção e as vendas não foram bem-sucedidos e 2020 foi um ano muito difícil. «A indústria têxtil [e de vestuário] não recuperou para os níveis pré-covid. Muitos dos trabalhadores das fábricas encerradas não encontraram outro emprego no sector e foram forçados a requalificar-se para outros postos de trabalho noutras indústrias», explica, ao Just Style, Diana Iliescu, diretora de projeto na Lara Consulting, uma consultora sediada em Bucareste que aconselha as empresas sobre o aprovisionamento na UE e financiamento governamental na Roménia.

Segundo Diana Iliescu, pelo menos «750 fábricas na indústria têxtil desapareceram das estatísticas da Roménia» desde o início da pandemia e os trabalhadores do sector continuam a ter salários baixos ou cortados ou estão mesmo sem salário.

Para piorar, a Roménia está atualmente a experienciar uma forte quarta vaga de covid-19, com apenas um terço da sua população de 19 milhões de pessoas a estar vacinado, de acordo com os registos do país. Esta é uma das percentagens mais baixas da UE, apenas melhor do que a da vizinha Bulgária.

A fraca performance da indústria de vestuário romena foi antecipada numa carta ao governo publicada em meados de 2020 pela FEPAIUS – Federatia Patronala a Textilelor, Confectiilor si Pielariei, a associação empresarial do têxtil, vestuário e couro, que advertiu para uma redução drástica e cancelamento de encomendas de clientes, sobretudo de Itália, com cerca de 30% da capacidade de exportação de têxteis e vestuário da Roménia encerrada e os restantes 70% a trabalhar a uma capacidade de 20%.

Ao mesmo tempo, as importações de materiais da China tornaram-se mais caras e estão a demorar mais tempo a chegar aos produtores romenos, salienta Iliescu.

Os números do Eurostat mostram que a produção de vestuário da Roménia caiu mais do que em quase todos os outros estados-membros da UE, uma descida de quase 27% em 2020 face a 2019. Apenas três outros países europeus foram mais afetados: Itália (-32,7%), Grécia (-32%) e Espanha (-26,9%), enquanto a média europeia de 2020 é de uma queda de 24%.

As alternativas dos EPI e do online

Diana Iliescu afirma ao Just Style que embora o governo romeno tenha endividado esforços para pôr fim a este declínio, as medidas implementadas «não responderam às necessidades da indústria têxtil [e vestuário]».

[©Summer Conf]
Até ao momento, o sector beneficiou de subsídios do governo para os trabalhadores, correspondendo a 75% dos ganhos brutos médios e a possibilidade de adiar o pagamento de impostos locais, assim como da renda e de contas básicas, como eletricidade, para pequenas e médias empresas.

Um novo programa de ajudas do Estado deverá ser lançado este inverno, revela Iliescu, mas diferentes indústrias terão subsídios adicionais dependendo da importância para o governo, sendo que «a indústria têxtil está em desvantagem em comparação com outras áreas de atividade», alerta a consultora.

Apesar destas dificuldades, alguns produtores romenos de vestuário com interesses no retalho têm procurado expandir as vendas diretas através do desenvolvimento de lojas online, oferecendo uma vasta gama de vestuário online a clientes profissionais e consumidores finais, indica Iliescu.

No início da pandemia, alguns produtores romenos mantiveram-se à tona com a mudança para a produção de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras, mas houve problemas, com alguns produtores a serem desacreditados por oferecerem produtos que não cumpriam os critérios médicos. A consultora refere que muitos produtores romenos sentiram dificuldades em alargar e expandir a sua oferta porque não conseguem pagar as tecnologias necessárias para desenvolver novas linhas de produto. «Por isso esta esperança também morreu rapidamente para a maior parte dos empresários», conclui Diana Iliescu.