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ITV de vento em popa – Parte 2

A aceleração do investimento nos sectores de fiação e tecelagem nos EUA (ver ITV de vento em popa – Parte 1) está a ser impulsionada por diversas empresas externas, mas também por empresas locais. A Burlington Industries, sediada na Carolina do Norte, é uma empresa com a maior parte da sua base em território americano – opera duas fábricas na China, três no México e sete nos EUA. O presidente Jeff Peck diz que existe uma «tendência clara» e «tantas razões positivas» para investir no mercado interno. «Quer se trate de melhorar a economia dos EUA ou reduzir a pegada de carbono, está a ocorrer um movimento local», acrescenta. No entanto, Peck aponta os preços como uma barreira para muitos fabricantes que fazem esse salto. «O preço é muito sensível. Este hemisfério é mais caro do que o hemisfério asiático, mas uma pessoa tem clientes que querem investir mais neste hemisfério (…) como a Wal-Mart. Também existem empresas que querem desenvolver uma perspetiva mais do tipo individual», explica. No entanto, atuar no hemisfério ocidental não deixa de apresentar os seus desafios. Como exemplo, salienta-se o recente frio ártico que varreu toda a América do Norte, causando interrupções de energia – raras no Inverno – para algumas fiações da Carolina do Norte e do Sul, incluindo Frontier Spinning Mills e Burlington. A questão de saber se esta tendência irá continuar a longo prazo tem causado reações diversas. «É um equilíbrio delicado», afirma David Sasso, vice-presidente de vendas da Buhler Quality Yarns. «É a política chinesa para o algodão, é a política comercial dos EUA, é o imposto sobre as sociedades e os acordos que podem ser estabelecidos com os governos e assim por diante. Existem muitos fatores que estão envolvidos em saber se uma pessoa é capaz de fazer negócios nos EUA, ou fazer negócios na China», justifica. John Flanagan, presidente da Flanagan Trading Corp, é mais firme no seu parecer sobre as implicações a longo prazo desta tendência. Flanagan aponta os riscos envolvidos em fazer quaisquer alterações de investimento em grande escala. «[Os fabricantes] estão muito conscientes que têm de investir milhões e milhões à cabeça e, se alguém está a investir isso com base na ideia de que a China tem uma política económica com falhas, então essa pessoa pode perder [o investimento] assim que a China reconheça o seu erro e faça uma pequena mudança», refere. Flanagan diz não ter visto «qualquer aumento real» na atividade têxtil nos EUA, embora, evidentemente, qualquer investimento demore anos para se transformar em fios e tecidos. No longo prazo, a sua visão é que a China continuará a ser o motor que impulsiona os têxteis e o vestuário ao nível mundial. «Eles têm o grupo de consumidores em mais rápido crescimento», sustenta Flanagan. «Nos EUA, temos um consumo têxtil muito maduro em comparação com o resto do mundo. Varia entre os 13,15 kg e os 16,33 a 16,78 kg per capita por ano. No entanto, se olharmos para a China, o seu consumo per capita está na ordem de um dígito. Isso diz-me que existe um enorme potencial para o crescimento da China e da Ásia em geral», esclarece. Por enquanto, Flanagan acredita que os investimentos nos EUA serão feitos por empresários do Sudeste Asiático, Bangladesh e Paquistão, que são, segundo ele, «um pouco mais dispostos a assumir riscos. Mas isso é porque eles estão mais desesperados para gerar os lucros possíveis».