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ITV do Bangladesh na berlinda

Onze retalhistas internacionais, incluindo Walmart, Gap Inc e H&M, estão a incitar o primeiro-ministro do Bangladesh a tomar “medidas rápidas” sobre os baixos salários dos trabalhadores no sector do vestuário neste país asiático, temendo que esta situação possa manchar a sua reputação de «empresas socialmente responsáveis». Etes retalhistas querem que o governo «forme um conselho de revisão e aborde a questão do salário mínimo no sector do vestuário com o mecanismo interno de uma revisão anual», segundo divulgou o jornal Financial Express. Numa carta enviada pelas empresas – onde se incluem ainda Carrefour, Tesco e Levi Strauss –, estas afirmaram que as greves operárias e os protestos contra os baixos salários são «vistos como um risco entre as nossas empresas e podem causar danos à reputação do Bangladesh como uma fonte de confiança no mercado». «Todos os signatários desta carta são empresas socialmente responsáveis que esperam que os trabalhadores que produzem os nossos produtos sejam devidamente compensados por parte dos seus empregadores», sublinha ainda a carta. O sector de vestuário do Bangladesh, que emprega mais de 2 milhões de trabalhadores e tem cerca de 4.500 empresas, é regularmente perturbado por greves e protestos contra os baixos salários e as más condições de trabalho, o que levou ao encerramento generalizado de fábricas. O salário mínimo mensal definido pelo governo para um trabalhador de vestuário é de cerca de 25 dólares, mas uma família de quatro pessoas gasta cerca de metade deste valor em alimentos. Na realidade, os salários são tão baixos que é regularmente oferecido arroz subsidiado aos trabalhadores, para tentar protegê-los dos crescentes preços dos alimentos. Pensa-se também que as fábricas de vestuário cortaram os salários entre 20 e 30%, numa tentativa de competir por encomendas com países como Vietname, China e Índia. Ironicamente, os altamente publicitados baixos salários e condições do sector estão também a originar uma aguda escassez de trabalhadores, à medida que estes migram de uma fábrica para outra à procura de salários mais elevados. De acordo com alguns responsáveis, a situação é tão má que pelo menos 30% da capacidade de produção não é utilizada. E como se isto não bastasse, a produção é ainda prejudicada pela falta de fiabilidade no fornecimento de gás e electricidade. Entre Julho e Novembro de 2009, as exportações de artigos de malha do Bangladesh caíram 5,7%, enquanto que as exportações de vestuário em tecido caíram 7,9%, em comparação com o mesmo período do ano anterior.