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ITV do Egito domina MENA

O Egito é o país mais bem posicionado nas regiões do Norte de África e Médio Oriente (MENA) no que diz respeito ao crescimento da produção de vestuário graças à sua população em idade ativa, segundo um novo relatório Fitch Solutions.

Egito [©AfricaInc.]

O documento sugere que as regiões do MENA vão beneficiar da tendência de diversificação da cadeia de aprovisionamento global longe da China, apesar dos custos mais elevados de mão de obra comparativamente aos produtores asiáticos, tendo em conta a proximidade geográfica e o acesso comercial preferencial ao grande mercado europeu de consumo.

O Egito, a Jordânia, a Tunísia e a Argélia são alguns dos países das regiões do MENA que vão beneficiar da diversificação na cadeia global de aprovisionamento de vestuário, aponta o relatório, que também destaca que os custos laborais no Egito podem ser comparáveis aos dos concorrentes asiáticos e a proximidade geográfica à Europa torna-o um país atrativo para marcas e retalhistas.

«O investimento em infraestruturas e as reformas estruturais parecem ter melhorado o ambiente operacional, aumentando ainda mais a competitividade do Egito», pode ler-se no relatório divulgado pelo just-style.com, que enumera ainda a elevada disponibilidade de mão de obra, a experiência média na produção de vestuário, muitos acordos comerciais e uma rede de transporte mediana como vantagens do país.

Jordânia [©Apparel Resources]
A Tunísia também foi considerada como uma «oportunidade», face aos seus baixos custos e uma indústria têxtil desenvolvida, mas o relatório afirma que embora haja espaço para investir no sector, o elevado risco político, a necessidade do país importar matérias-primas e a baixa número de indivíduos ativos pode diminuir a sua atratividade em relação aos principais parceiros regionais, com densidade populacional e capacidade de produção de algodão maiores.

«De igual modo, a Jordânia deve manter a sua posição, tendo em conta o segmento de mercado de vestuário de custo médio a alto, ainda que possa ter dificuldades para aumentar significativamente a sua quota no mercado. O país beneficia de relativa estabilidade política, laços com fornecedores europeus e uma logística de transporte e regras comerciais mais favoráveis», refere o relatório. «No entanto, salários mais altos, a reduzida dimensão do sector e o facto de os produtores jordanianos dependerem de fibras importadas – minorando a flexibilidade e o tempo de resposta – podem impedir ganhos adicionais significativos», enumera.

Países menos apelativos

«Pelo contrário, vemos possibilidades mais limitadas de benefícios no caso de Marrocos e da Argélia. Embora Marrocos fosse já grande produtor têxtil, à medida que o país continua a subir na cadeia valor, o aumento dos custos laborais deve travar ainda mais o investimento», indica o relatório.

Argélia [©Middle East Monitor]
Já no caso da Argélia, a população relativamente grande (pelos padrões regionais) e os baixos custos da mão de obra podem torná-la atrativa para a produção de têxteis e vestuário, mas «o tamanho limitado da capacidade produtiva atual, a falta de integração nas cadeias de aprovisionamento de produção de vestuário na Europa e declarações do presidente Abdelmajid Tebboune sugerem uma possível mudança nas políticas mais protecionistas podem refrear o apetite para investir no país», conclui.