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ITV do Haiti com perspetivas positivas

Embora o país esteja ainda a recuperar-se do assassinato do presidente Jovenel Moïse e de um grande terramoto, as perspetivas da indústria têxtil e vestuário do Haiti continuam positivas.

[©Pexels]

Esperar para ver parece ser o lema adotado pelos players da indústria têxtil e de vestuário do Haiti após o assassinato do presidente Jovenel Moïse a 7 de julho, que ocorreu quando o país lutava para gerir o impacto contínuo da pandemia de covid-19.

Agora que o país sofre com outro impacto, causado pelo terramoto de 22 de agosto, Georges Sassine, ex-presidente e membro da Association des industries d’Haïti (ADIH), que representa a maioria da indústria de produção no país revela que, após a agitação política recente, ainda se questiona «como será o amanhã».

A indústria têxtil e vestuário do Haiti é uma das maiores indústrias da ilha e é responsável por pouco mais de 10% do PIB. No entanto, segundo Sassine, desde o assassinato do presidente, uma «calma inquietante» paira sobre o quotidiano dos cidadãos, incluindo aqueles que trabalham nas fábricas de vestuário do Haiti. «O país ainda está em choque, então está muito quieto nesse sentido. Nas últimas semanas, toda a gente tem trabalhado normalmente, por causa do choque, será o medo, está calmo, estamos todos a trabalhar – não tem problema», afirma o ex-presidente da ADIH ao Just Style.

Apesar deste panorama, não tem sido fácil para a indústria desde que a pandemia atingiu o Haiti. As estatísticas da Organização Mundial da Saúde mostram que houve mais de 20 mil casos de covid-19 no país, com quase 600 mortes. As autoridades de saúde temem que estes números não retratem um quadro preciso da crise sanitária, uma vez que a testagem para o vírus foi considerada baixa.

Um estudo realizado em março e junho de 2020 pela ADIH e pela IFC do Banco Mundial logo após o início do surto à escala global, ilustrou a gravidade da pandemia para a indústria.

Dos 33 membros da ADIH inquiridos, 67% antecipavam uma perda de, pelo menos, 30% nas receitas em 2020 como resultado da pandemia e 28 entrevistados (84%) relataram um total de 723 dias de produção perdidos entre 20 de março e 20 de abril, indicam os dados da análise.

Também o emprego dos membros da ADIH foi afetado, sofrendo uma queda de quase um terço durante o mesmo período, passando de 53.323 pessoas empregadas em março de 2020 para as 35.795 no final de abril de 2020. Este desfecho deveu-se, em parte, ao encerramento, ditado pelo Governo, de todas as fábricas para impedir a propagação do vírus. Mesmo quando as fábricas receberam luz verde para retomar gradualmente as operações no final de março de 2020, as restrições foram impostas para limitar o número de funcionários permitidos em simultâneo em qualquer lugar.

Futuro

«Devo dizer que, desde o surto no ano passado, nós [fábricas], tomamos todas as medidas necessárias para que as pessoas usassem máscaras, lavassem as mãos e se mantivessem distantes … não podemos relatar nenhum surto real», assegura Georges Sassine, que se diz confiante de que as coisas vão melhorar.

O Haiti só começou o programa de vacinação dias depois do assassinato de Moïse com 500 mil doses da vacina Moderna, doadas pelos EUA. Antes da chegada das vacinas, a 14 de julho, o Haiti era o único país das Américas e Caribe ainda a começar o programa de vacinação.

O facto do Haiti ainda não ter sofrido uma queda significativa nas exportações da indústria têxtil e vestuário tem confortado Georges Sassine.

[©Freepik]
O Gabinete dos têxteis e Vestuário dos EUA, de acordo com o seu Departamento de Comércio, divulgou que, em 2019, o Haiti exportou mil milhões de dólares em vestuário para os EUA, um dos principais parceiros comerciais. «Não acho que aumentaram [as exportações], mas também não acho que tenham baixado, e se aconteceu foi mínimo», admite Sassine, apontando que o maior desafio continua a ser a escassez regular de combustível no país, que há anos sofre com esta problemática, que acaba por impedir os cidadãos de se deslocarem para o trabalho.

Com os players da indústria têxtil e vestuário a solicitarem mais assistência por parte do Governo, o ex-presidente da ADIH não tem certezas sobre o futuro e quais serão as ações adotados pelo Primeiro-Ministro Ariel Henry e o respetivo Governo.

«Pelo menos temos um Primeiro-Ministro que é aceite pela maioria, mas é como se ele tivesse algum tipo de moratória. O Governo que ele instituiu não deixou muitas pessoas felizes, mas vamos dar-lhe algum crédito tendo em conta quem ele é», conclui.