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ITV do Peru retoma negócio

Os produtores de vestuário do país andino estão finalmente a crescer aos mesmos níveis de antes da pandemia, depois de um primeiro semestre tumultuoso devido à pandemia de covid-19 e a umas eleições presidenciais polarizadas que trouxeram uma instabilidade acrescida.

[©Incalpaca]

A Cámara de Comercio de Lima projeta um crescimento entre 10% e 15% nas exportações de têxteis e vestuário até ao final de 2021, em comparação com os resultados de 2019.

De acordo com o Instituto Nacional de Estadística e Informática (INEI), citado pelo Just Style, os volumes de exportação do sector aumentaram 54% entre janeiro e agosto de 2021, sendo de notar, particularmente, as vendas mais altas de polos de algodão, para os EUA e o Canadá, camisolas de malha de algodão, para os EUA e o Brasil, polos e t-shirts de outros materiais, para os EUA e o Canadá, e pelo fino cardado ou penteado de alpaca ou lama, para a China e Itália.

Contudo, a indústria têxtil e vestuário peruana está profundamente preocupada com a atual instabilidade política e uma escassez de matérias-primas a montante, uma vez que os fornecedores peruanos de fibras e fios ainda não recuperaram da pandemia. Além disso, a falta de materiais, sobretudo de fibras de algodão (70% são importadas), impede a resposta aos clientes, pondo em risco a recuperação, explicou Luis Antonio Aspillaga, presidente da Cámara de Comercio de Lima, numa conferência de imprensa.

Empresários pedem estabilidade

Guido Bellido renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro no início de outubro depois de escândalos associados com investigações financeiras e outras acusações, a que se seguiram manifestações públicas. Pedro Castillo, que assumiu a presidência do país em julho, está agora a tentar reconstruir o governo sem os líderes mais radicais da esquerda, do partido Peru Libre.

Ainda assim, Carlos Penny, presidente do comité têxtil da Asociación de Exportadores (ADEX), acredita que as mudanças vão significar que Castillo e o seu governo vão prosseguir com as políticas de esquerda. «Ainda estamos preocupados com a forma como o governo está a orientar as suas intenções, mesmo com esta nova composição. Embora ele [Pedro Castillo] tenha afastado alguns ministros controversos», alguns dos que permanecem ainda são da ala esquerda, explica.

[©Alpaca Fiesta]
Luis Chaves, diretor-geral da maior processadora de camelídeos Incalpaca, acredita que uma recuperação total na indústria depende de como o país vai conseguir criar confiança no seu sistema político. «Não sou pessimista, porque o sector está a prosperar, mas o fantasma da inflação assombra-nos, o custo de vida subiu», aponta. A inflação atingiu 4,95% em agosto. «Um panorama de muito trabalho difícil está no horizonte», prevê Luis Chaves.

As consequências das recentes alterações políticas não se refletiram completamente nos mercados financeiros. A eleição de Bellido em julho espoletou um aumento nas taxas de juro e enfraqueceu a moeda local. A 6 de outubro, o sol, a moda peruana, fechou perto do valor mais baixo de sempre face ao dólar americano (4,12 sol por cada dólar, em comparação com 3,57 em outubro de 2020).

Apesar dos desafios, a indústria está a realizar a Alpaca Fiesta, uma conferência internacional que junta representantes de toda a cadeia de produção de fibra de alpaca, que começou a 25 de outubro e se prolonga até 12 de novembro. O evento está a decorrer online devido às restrições provocadas pelo covid-19 e inclui debates sobre práticas agrícolas para proteger os camelídeos, mesas redondas com empresários e desfiles de moda.