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ITV do Peru tem metas ambiciosas

Para atingir o objetivo de duplicar as exportações de têxteis e vestuário, o Peru está empenhado em injetar valor na cadeia produtiva com recurso às suas fibras nobres, como a vicunha e a alpaca.

O país quer atingir exportações de 3 mil milhões de dólares (2,63 mil milhões de euros) e criar 200 mil postos de trabalho até 2024 como parte de um plano para reestruturar a indústria, que se encontra atualmente em dificuldades.

«Contratámos uma consultora e eles recomendaram uma série de ações de curto e médio prazo», explicou Martin Reano, que lidera o comité têxtil da associação industrial do país, a Sociedad Nacional de Industrias del Peru (SNI), ao just-style.com.

Entre as medidas constam a expansão do sector de fibras naturais, juntamente com a flexibilização do mercado laboral e o combate às importações de vestuário de preços baixos proveniente da China.

O país está a trabalhar para desenvolver a produção de fibras animais, que incluem rebanhos de vicunhas e alpacas a produzir algumas das matérias-primas mais suaves do mundo. «Queremos melhorar a qualidade das nossas fibras através de diferentes ações, incluindo melhor engenharia genética para os animais e sementes certificadas, assim como mecanismos de rega especiais que permitam uma maior colheita de algodão por hectare», afirmou Reano.

O processo deve permitir que o Peru produza misturas especiais, como alpaca ou vicunha com algodão Pima, modal, liocel e poliéster. «Atualmente, estamos a vender a 40 dólares por quilo», revelou o diretor do SNI, acrescentando que o objetivo é aumentar esse valor para 60 dólares. «Estamos já no mercado de exportação de preços mais altos mas precisamos de fazer muito mais, desenvolver melhores estratégias de marca e reduzir os nossos custos logísticos», apontou.

Como parte desse esforço, o Peru lançou recentemente as marcas Textiles Peru e Alpaca Peru para promover, de forma mais eficiente, os produtos de maior qualidade na arena internacional, onde sente que pode marcar pontos.

O plano deve colher o apoio do governo, numa altura em que o sector enfrenta a pior crise em sete anos, alimentada pela concorrência acérrima do Vietname e de El Salvador.

Em 2017, Martin Reano antecipa que as exportações atinjam 1,3 mil milhões de dólares, um ligeiro aumento em comparação com o ano passado, devido ao reforço da procura dos EUA. O valor, contudo, está mil milhões de dólares abaixo da meta de 2,1 mil milhões de dólares definida em 2012. «Estamos a ver um ligeiro aumento das exportações no nosso principal mercado dos EUA, mas também um declínio nos nossos vizinhos Brasil, México e Colômbia», admitiu.

O Peru exporta 65% a 70% da sua produção de vestuário, incluindo as partes de cima em algodão Pima e alpaca para os EUA, com o restante a ter como destino a América do Sul e a Europa, sobretudo para o Brasil, Colômbia, Alemanha, Espanha e Itália.