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ITV em mutação

Avona, uma empresa média francesa especialista em pronto-a-vestir, decidiu deslocalizar uma parte da sua produção para a Tunísia, procurando assim usufruir das vantagens competitivas que a indústria têxtil e de vestuÁrio (ITV) do país oferece para o mercado europeu. Após o fim do acordo multi-fibras a 1 de Janeiro de 2005, o mercado da União Europeia viu-se inundado por produtos chineses em detrimento de países como a Tunísia. A reposição temporÁria das quotas pela UE em 2006-2007 permitiram reduzir a avalanche das importações de têxteis provenientes do Império do Meio de 10%. Este período foi o tempo necessÁrio para os países “não-chineses”, como a Tunísia, implementarem um plano de reestruturação para acrescer a sua competitividade. O fluxo sustentado de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) na Tunísia durante 2006-2007 afirmou a competitividade tunisina à escala global. O sector têxtil registou uma progressão notÁvel de 25,9%, permitindo o aumento do IDE de 71,8 milhões de dinars em 2006 para 90,4 milhões de dinars em 2007. As estatísticas relativas aos primeiros nove meses do ano de 2007 confirmam a resistência deste sector com cerca de 1.967 empresas e 200.000 trabalhadores, que representou 42,7% das exportações da indústria transformadora. Uma das empresas mais activas no sector têxtil tunisino ao longo do ano transacto foi a Benetton. A empresa italiana decidiu recentemente alargar a sua actividade na Tunísia, instalando uma unidade de acabamentos em Sahline no valor de 22 milhões de euros, a Área de menor dimensão num sector dominado pela confecção. A Benetton estÁ também em via de aumentar a sua capacidade de produção para a região de Kasserine e criar 700 postos de trabalho aqui. A estratégia da Benetton poderÁ incitar outras empresas a seguir o exemplo, tendo em conta nomeadamente a proximidade do país ao mercado europeu, uma importante mais-valia face ao dragão asiÁtico, jÁ que hoje é muito importante a reposição rÁpida de stocks e a capacidade de resposta a pequenas encomendas. Até Marrocos reconhece o potencial da vizinha Tunísia: Devemos ter em conta que o “bolo” europeu é cada vez mais pequeno devido à evolução de países como a Tunísia, com uma reactividade crescente», afirmou Mohamed Taziz, director-geral da Associação Marroquina da Indústria Têxtil e de VestuÁrio.