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ITV em operação militar

O Citeve foi hoje palco para apresentação dos primeiros protótipos de equipamentos de fardamento e sistemas de carga desenvolvidos no âmbito do programa Sistemas de Combate do Soldado - Sobrevivência, num consórcio entre o centro tecnológico e as empresas Damel, Lavoro, Monte Campo e Riopele.

A formalização protocolar do programa foi celebrada esta quinta-feira no Citeve, a par de uma reunião técnica com o Estado Maior do Exército, que decorreu no sentido de revisar as primeiras amostras e de aperfeiçoar algumas funcionalidades em linha com os requisitos técnicos exigidos pelo Exército.

«Foi pensado, sempre, naquilo que eles utilizam atualmente e naquilo que são as novas necessidades, muito na perspetiva do combate e da sobrevivência», explicou José Morgado, diretor do departamento de tecnologia e engenharia do Citeve, ao Portugal Têxtil.

O centro tecnológico trabalhou com cada uma das empresas no desenvolvimento das funcionalidades dos materiais e na engenharia dos produtos.

Coronel Ribeiro, David Paiva, Vítor Paiva e António Amorim

Os objetivos do programa assentam na criação de tecidos para coletes balísticos, sistemas de carga, uniforme de combate, conjunto impermeável e conjunto underwear, calça e t-shirt de combate e bota de combate.

As quatro empresas apresentaram, nesta primeira sessão, os primeiros ensaios que servirão de base para o desenvolvimento do produto final, que deverá estar em consonância com as necessidades dos militares.

A Lavoro, da área do calçado, mostrou um conjunto de botas de combate com formatos diferentes, tanto a nível da forma como do cano. A Damel é a responsável pela criação de vestuário exterior que, neste momento, ainda se encontra em fase de desenvolvimento. A Monte Campo, especialista em produtos dedicados às atividades de desporto e lazer ao ar livre, tem sob a sua cancela a criação de duas mochilas e de duas bolsas. Por sua vez, a produtora de tecidos Riopele, mostrou já algumas propostas de tecidos «que estão a ser utilizados nas provas de conceito que iremos continuar a desenvolver. Nomeadamente, o tecido para um uniforme de combate, um tecido resistente ao calor e à chama, um tecido para um conjunto impermeável e também um tecido para ser utilizado no colete balístico e nos sistemas de carga», explicou Gilda Santos, gestora de projetos do Citeve.

O principal foco do projeto é desenvolver produtos que sejam «mais ergonómicos, mais leves, mais confortáveis, proporcionarem uma boa regulação térmica e, no fundo, aumentarem o desempenho do soldado em combate», apontou Gilda Santos.

Patrícia Ferreira, responsável pela gestão de projetos, de qualidade e de I&D na Damel, revelou ao Portugal Têxtil que a empresa especialista na confeção de vestuário técnico já colabora com o exército desde 2011, na sequência de projetos como o PERMAC.

Neste projeto atual, a Damel criará «uma t-shirt e calça de combate e a calça e casaco impermeável, que eles usam quando está a chover ou quando está muito frio. A t-shirt de combate tem a particularidade de ter as mangas camufladas para, com o uso do colete balístico, o soldado estar totalmente protegido em termos de camuflagem, visual e térmica», revelou Patrícia Ferreira. No que diz respeito aos tecidos, «a Damel está a trabalhar na parte de desenvolvimento do vestuário exterior com a Riopele e, futuramente, também esperemos que sejam eles a fornecer», asseverou.

A gestora de projetos revelou ainda, ao Portugal Têxtil, que a empresa encontra-se já em contacto com a Marinha e o Exército português no sentido de se estabelecerem acordos comerciais para os produtos SeaB2 (ver Damel veste militares), que consiste num casaco com um colete salva-vidas integrado.

O Citeve conta já com participações em vários projetos da área militar, a nível nacional e internacional, nomeadamente projetos para a Agência Europeia da Defesa: ACCLITEXSYS na área da regulação térmica, LIVEST na área da proteção balística, ACAMS na área da camuflagem adaptativa e CONCEDS na análise de requisitos e perspetivas futuras.