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ITV escocesa aposta no retalho

Tendo enfrentado muitos problemas nos últimos anos, a indústria têxtil escocesa estÁ mais confiante e preparada para alargar a sua presença ao sector do retalho como parte de uma estratégia ambiciosa para aumentar a sua competitividade global. Esta estratégia estÁ na origem de uma grande recuperação do sector, que permitiu novamente “pôr de pé” diversas empresas escocesas. Muitas destas empresas têxteis perceberam agora que, com recurso a um design inovador podem assegurar a presença dos tecidos tradicionais escoceses nas passerelles de todo o mundo, e daí levar os seus produtos para mercados de retalho internacionais maiores e pouco explorados. Esta confiança crescente foi, por exemplo, demonstrada quando nove das principais empresas têxteis da Escócia expuseram no ano passado no evento Dressed to Kilt em Nova Iorque. Actualmente, quase metade das empresas têxteis escocesas tem as suas próprias operações de retalho, em comparação com apenas 25% hÁ dois anos atrÁs, de acordo com um estudo da Scottish Entreprise. Como consequência, cerca de 40% das empresas aumentaram os seus resultados no último ano, sublinha o estudo. Embora a produção continue a ser o elemento mais significativo da actividade têxtil na Escócia – oito em cada dez empresas estão envolvidas na produção –, este estudo revelou que hÁ cada vez mais negócios a subir na escala de valor. Dois terços das empresas têxteis escocesas estão envolvidos em actividades de design. O estudo realça empresas como as especialistas em caxemira Lochcarron of Scotland e Johnstons Cashmere e a marca de gabardinas Mackintosh, que recentemente anunciou planos de expansão das suas actividades ao retalho. A Mackintosh tem jÁ lojas em Londres e Tóquio, mas planeia agora expandir a sua presença internacional com novos pontos de venda em Nova Iorque, Moscovo e outras cidades importantes na Europa e na Ásia nos próximos três a cinco anos. Daniel Dunko, director da Mackintosh, revelou que aumentar a nossa presença no retalho é uma parte vital da nossa estratégia para construir uma marca global e aumentar a notoriedade da nossa gama de produtos nos próximos anos. As nossas lojas em Londres e Tóquio provaram ter muito sucesso e queremos apoiar-nos nisso para nos expandirmos para novos mercados internacionais». Entretanto, a Lochcarron abriu a sua primeira loja própria ao lado da sua unidade de produção em Selkirk, a que se seguirÁ uma loja em Mayfair em Londres. Também a Johnstons estÁ a investir 1,5 milhões de libras no retalho. Kirsty Scott, que dirige o departamento têxtil na Scottish Enterprise, afirma que como a concorrência continua a intensificar-se no sector têxtil mundial, as empresas escocesas reconheceram a necessidade de construir a sua própria presença de marca e vender directamente aos consumidores. Em vez de se afastarem completamente da produção, estamos a começar a ver cada vez mais empresas a envolver-se numa gama de actividades mais alargada e a operar em toda a cadeia de valor da indústria, desde a produção ao design, das vendas por grosso ao retalho». O estudo também concluiu que 40% das empresas têxteis escocesas exportam, estando os principais mercados localizados nos EUA, França, Alemanha, ItÁlia e Japão. Outro sinal da crescente confiança da indústria é que um terço das empresas fez grandes investimentos de capital durante o último ano, e cerca de metade registou níveis elevados de produtividade e melhores margens de lucro. James Sugden, director da Johnstons e presidente da Associação Industrial de Têxteis Escoceses acrescentou que hÁ um crescente optimismo na comunidade têxtil. Contudo, ainda precisamos de tentar aumentar os níveis de produtividade, inovação e cooperação, assim como continuar a melhorar o perfil internacional dos têxteis escoceses no seu todo». Actualmente, a ITV escocesa é constituída por hÁ 450 empresas, que empregam directamente mais de 17.000 pessoas e apresentam um volume de negócios anual de mil milhões de dólares.