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ITV europeia abre portas à Índia

A Comissão Europeia (CE) está a ponderar as condições para abrir negociações com as autoridades indianas no sentido de liberalizar o comércio de têxteis e vestuário. Estas negociações já estavam previstas, mas os empresários temem que se volte a dar um tratamento de excepção a um grande importador da UE, tal como aconteceu com o Paquistão, e cujo acordo celebrado previa um aumento de 15% dos contingentes impostos às suas exportações têxteis, a par de uma redução de 7% dos direitos aplicados na alfândega, tendo como contrapartida que Islamabad reduzir as suas tarifas alfandegárias de 70 para 25% e para metade todas as que se encontrassem abaixo deste número. No âmbito da liberalização total do comércio, prevista acontecer até Janeiro de 2005, as negociações entre Bruxelas e os países importadores eram já esperadas. No entanto a indústria portuguesa está expectante, e os empresários exigem que o Comissário, Pascal Lamy cumpra com o prometido no ano passado: as negociações devem incluir uma contrapartida pelo alargamento ou fim das quotas de importação. A directora de relações internacionais da Associação Portuguesa de Têxteis e Vestuário (APT), Luísa Santos, afirma que a Indústria Têxtil e de Vestuário (ITV) portuguesa está «disposta a entrar em negociações com a Índia», aproveitando o facto de «ainda ter quotas de importação para negociar, agora, uma melhoria no acesso ao mercado indiano», uma vez que, actualmente, «o acesso é praticamente impossível», já que as taxas e direitos aduaneiros nos têxteis e vestuário podem atingir os 60%. Luísa Santos salienta ainda que a abertura do mercado europeu só será possível se houver uma «redução e eliminação das barreiras não pautais» que facilite a exportação dos produtos europeus. Daí a insistência por parte da ITV nacional numa «redução dos direitos aduaneiros para a ordem dos 17%». A Índia é o segundo maior país exportador de têxteis para a Europa e está actualmente a utilizar em 100% a maior parte das suas quotas de importação, o que indicia que terá capacidade de exportação caso as quotas sejam eliminadas.