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ITV impressiona Cavaco Silva

Com uma pontualidade digna do melhor britânico, as portas da Impetus, em Barqueiros, abriram-se às 10 horas para receber o Presidente da República, naquela que foi a primeira paragem da quarta jornada no Roteiro para uma Economia Dinâmica. A história do grupo, criado em 1973, foi desfiada pelo fundador, Alberto Figueiredo, que com altos e baixos acabou por criar, logo em 1985, a marca própria Impetus. Hoje, «a Impetus é uma empresa vertical a partir do fio», sublinhou o administrador, empregando 860 pessoas, 693 das quais em Portugal (as restantes trabalham numa unidade instalada em Cabo Verde e noutros países), e com uma produção de 4,65 mil milhões de peças, com 3 mil toneladas de malha e tela tingida e 4 milhões de metros de malha e tela estampada. Mais de 95% da produção é para exportação, apontou Alberto Figueiredo, com presença em 35 países. O administrador da Impetus destacou mesmo que uma das empresas do grupo, a especialista em malhas seamless CEF, «exporta para os EUA 2,5% do total das exportações têxteis [portuguesas], ou seja, exporta 5 milhões de euros só para os EUA». O volume de negócios tem vindo a crescer, tendo-se cifrado em 41,6 milhões de euros em 2014. Entre as licenças – Replay Underwear e Eden Park – e as marcas próprias Impetus, Hot e ProtechDry, Alberto Figueiredo realçou as parcerias estabelecidas para criar esta última, dedicada a pessoas com incontinência urinária ligeira, que em breve poderá chegar às grandes superfícies, não só em Portugal mas noutros mercados. «O nosso maior cliente neste produto neste momento é a Austrália», referiu. A aposta na inovação da empresa não se fica por aqui, com o administrador a citar novos projetos de I&D+T em curso, em parceria com a Universidade do Minho. «Estamos a desenvolver uma cueca para as pessoas paraplégicas. Normalmente essas pessoas não têm sensibilidade e não se apercebem quando têm necessidade de ir à casa de banho, por isso vamos pôr um sensor na cueca que possa alertar para o telefone de que a cueca está cheia e portanto tem de ser substituída. Estamos a desenvolver um produto de vestuário para pessoas obesas e um produto com eletroestimulação na própria peça», referiu. Motivos, a somar aos dados das vendas, que fazem com que o administrador acredite que no futuro «o crescimento possa ser muito acentuado», afirmou ao Presidente da República. Depois de percorrer as diversas áreas da Impetus, o Presidente da República seguiu para a Scoop. «Uma enorme honra», destacou a administradora, Mafalda Pinto, «de que não nos julgávamos merecedores». Vocacionada para o vestuário técnico de desporto, a empresa, sediada em Vila Nova de Famalicão, é hoje «uma empresa muito diferente de 1991, quando começámos. Não escolhemos um caminho fácil nem o mais fácil, mas decidimos que o têxtil português tem de ser diversificado, flexível e, acima de tudo, inovador», apontou a administradora. Mafalda Pinto realçou ainda a necessidade de dignificar o “made in Portugal” e fez um pedido ao Presidente da República: «há que dignificar a profissão de costureira. É um apelo que lhe faço». A visita seguiu com a apresentação ao Presidente da República alguns dos produtos feitos pela empresa, como os fatos de ski topo de gama da Lacroix, os uniformes da equipa olímpica russa nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014, um fato com biocerâmica, «que ativa a circulação sanguínea e permite dar mais energia e equilíbrio ao desportista» ou ainda um blusão de equitação com airbag incorporado, atualmente a ser desenvolvido também para a área de motociclismo e ski. «Dava jeito para o futebol americano também», brincou o Presidente da República. Com 80 colaboradores diretos e 400 subcontratados, a empresa, que faturou no ano passado mais de 7 milhões de euros, produz para marcas conhecidas, como a Quicksilver e a Rossignol, mas produz também vestuário corporativo para bombeiros e polícias, roupa interior, de banho e de dormir para a Tommy Hilfiger. A visita de hoje do Presidente da República fica, segundo Mafalda Pinto, marcada «na história da empresa. Este é um momento muito importante e especial». A parte da tarde segue com a visita à Riopele, ao Citeve e ao Centi e termina numa cerimónia comemorativa dos 50 anos da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, no final da qual irá homenagear seis empresários do sector, das empresas Adalberto Estampados, Flor da Moda, Grupo Diastextil, Grupo Impetus, Grupo Valérius e Petratex.