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ITV indiana quer mais apoios

Uma apresentação do Conselho de Promoção das Exportações de Vestuário (AEPC) da Índia foi divulgada na conferência, que decorreu no âmbito da recente edição da India International Garment Fair (IIGF), pedindo ao Governo indiano para concluir o planeado acordo de livre comércio UE-Índia «imediatamente para combater [a] vantagem de preço competitivo disponível para Bangladesh, Camboja, Vietname (…)». O documento também afirma que, até que um acordo seja atingido, o Governo indiano deverá compensar os exportadores de vestuário com os subsídios à exportação necessários para igualar os custos dos direitos de importação impostos pela UE. A AEPC foi um dos organizadores da IIGF, que reuniu 800 compradores de 59 países que negociaram com 400 expositores indianos ao longo de três dias. Os fabricantes saudaram especialmente o anúncio do orçamento do Governo para ajudar as exportações de vestuário, aumentando a isenção de impostos para a importação de acessórios, enfeites e uma série de outros produtos, de 3% a 5% do valor das exportações. Além disso, o Governo prometeu a liberação mais rápida das cargas de importação e exportação para reduzir os custos de transação e melhorar a competitividade das empresas. A indústria também tem exigido a continuidade de um esquema de subsídio aos juros para exportadores de vestuário, que terminou em março deste ano, em conjunto com os benefícios fiscais para as novas unidades de fabricação de vestuário pelo seu contributo para a geração de empregos em áreas rurais ou pobres. A melhoria da infraestrutura básica, como estradas, vias ferroviárias, portos e geração de energia, é realmente muito crítica, reconhece Rakesh Vaid, presidente da Associação dos Exportadores de Vestuário da Índia. Vaid refere que os exportadores indianos de vestuário têm estado “presos” a um nível de receita de 16 a 18 mil milhões de dólares por ano, «enquanto e até que investamos fortemente em infraestrutura», considerando que atingir, por exemplo, os 40 mil milhões de dólares será «quase impossível». Vaid salienta ainda que os serviços de transporte terrestre para a distribuição de vestuário permanecem não apenas caros, mas lentos. «O custo do transporte de mercadorias de Deli para Bombaim é mais do que o custo de expedição de Bombaim para Nova Iorque», afirma o responsável, acrescentando que «o tempo de trânsito do porto seco para o porto de mar, estende-se, por vezes, até uma semana». As arcaicas leis laborais da Índia também são um sério obstáculo ao crescimento da indústria do país e o novo Governo já tomou algumas medidas, incluindo o levantamento da proibição de turnos noturnos para os trabalhadores do sexo feminino no sector do vestuário, como anunciado no discurso sobre o orçamento. No entanto ainda permanecem diversos outros problemas. Por exemplo, de acordo com Vaid, as horas extra acima das 48 horas semanais estão limitadas a 50 horas ao longo de três meses. «Precisamos trabalhar até 60 horas por semana», observa o responsável. Além disso, revela Vaid, a habitação para os trabalhadores é também um grande problema: «Não temos dormitórios, de modo que os trabalhadores vêm e vão, negando assim um fornecimento consistente de mão-de-obra», explica. As políticas favoráveis ao mercado do novo Governo não só ajudam os fabricantes de vestuário, mas também toda a economia, aumentando assim a procura doméstica por vestuário. Mas isso também poderá dificultar o crescimento das exportações. «Nos próximos cinco anos, se o poder de compra doméstico subisse 20% não teríamos qualquer excedente para exportar, a não ser que aumentássemos em escala a nossa produção», acredita Vaid, admitindo que o governo central lançou algumas iniciativas de desenvolvimento de competências para os trabalhadores.