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ITV investe mais na Racionalização do Processo Produtivo

O INE apresentou em 11 de Julho os resultados do Inquérito ao Investimento de Abril, revelando os dados relativos ao investimento em Portugal em 2002 e a previsão dos valores para 2003. O presente artigo foca apenas os aspectos apresentados no documento, com relevância para a ITV nacional. Os dados apresentados revelam uma quebra do investimento na Indústria Transformadora de 2002 em 20,5%, prevendo para 2003 uma quebra menos acentuada de 12,5%. Relativamente ao subsector de têxteis e vestuário, verificou-se em 2002 uma quebra de 25,1% no investimento. O gráfico seguinte apresenta a distribuição do investimento para o têxtil e vestuário em 2002 e a previsão para 2003 (ITV 2002 e ITV 2003), assim como para a Indústria Transformadora nos mesmos anos (InTr 2002 e InTr 2003), em função dos objectivos de investimento: «substituição da capacidade produtiva», «extensão da capacidade produtiva», «racionalização do processo produtivo» e outros investimentos. No total dos investimentos realizados pela ITV em 2002 na «Extensão da Capacidade Produtiva», 98,4% das empresas declararam terem investido numa extensão no quadro de produção existente (valor previsto para 2003 de 90,3%), enquanto 14,0% declararam a introdução de novos produtos (valor previsto para 2003 de 10,3%). Relativamente aos investimentos realizados pela ITV em 2002 na «Racionalização do Processo Produtivo», este encontra-se dividido em três objectivos de investimento distintos, nomeadamente na «Mecanização e automatização dos processos de fabrico existentes» com 96,9% (valor previsto para 2003 de 78,1%), «Introdução de técnicas novas de fabrico» com 51,6% (valor previsto para 2003 de 24,5%) e «Economia de energia» com 25,6% (valor previsto para 2003 de 4,7%). Continua-se a verificar que o grosso do investimento da ITV nacional continua a ser na «substituição ou reposição da capacidade produtiva», apesar de se verificar a redução no investimento previsto para 2003. Através dos dados apresentados pelo INE, verifica-se uma tendência na ITV nacional para aumentar o investimento na «racionalização do processo produtivo», denotando-se no entanto uma tendência menos generalista neste tipo de investimento, com as empresas a concentrarem-se em especial na «mecanização e automatização dos processos de fabrico existentes». De acordo com o INE, «a indústria transformadora surge em 2003 com uma distribuição muito equilibrada do investimento pelos três objectivos discriminados, existindo uma ligeira vantagem para a «Racionalização do Processo Produtivo», o que não sucedera em 2002, em que a «Extensão da Capacidade Produtiva» assumira a primeira posição». Relativamente aos entraves mais relevantes à realização de investimento em 2002, o INE identificou como principal causa a «deterioração das perspectivas de venda», referindo como secundários a incerteza quanto à «rentabilidade do investimento» e limitações na «capacidade de auto-financiamento», afigurando-se estas questões como os principais entraves para o investimento em 2003. Sob o ponto de vista da criação de emprego, o INE refere que o investimento em 2003 continuará, à semelhança de 2002, a não ser um factor contributivo para a criação de emprego, apontando o estudo para uma quebra dos postos de trabalho em função dos investimentos realizados e a realizar (-4,4% em 2002 e -5,5% em 2003).