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ITV já está no caminho da circularidade

A economia circular é uma questão premente para a ITV portuguesa, que nos processos que domina está a incorporar fibras recicladas e a procurar melhorar a sua pegada ambiental, como foi revelado, e comprovado com o exemplo da Valérius no webinar “Indústria Circular – o Sector Têxtil e Agroalimentar”.

No webinar promovido pela associação Zero Desperdício no passado dia 18 de março, Ana Paula Dinis, diretora-executiva da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal sublinhou que «já há bastantes boas práticas e a preocupação do sector em geral, nomeadamente na área da gestão de resíduos e reintrodução dos resíduos, para que se mantenha valorizado» e que «não há empresa nenhuma do nosso sector, em Portugal, que não esteja já a incorporar fibras e fios reciclados nos seus processos produtivos».

Além disso, apontou, «cada vez mais as empresas estão a utilizar processos de otimização de recursos, nomeadamente da água – muitas empresas de tinturaria estão a tratar e a reutilizar a água».

Elsa Parente, CEO da RDD – Research Design Development do grupo Valérius, confirmou que «a nossa inovação está 100% relacionada com o que é a economia circular. Não podendo ser circular, temos a preocupação que, no fim de vida do produto, ele possa ser rapidamente biodegradável e que, no início da cadeia, portanto, as matérias-primas não consumam muitos recursos».

A empresa tem atualmente controlo sobre todos os processos, da reciclagem de fibras ao envio para o consumidor. «Neste momento, com o processo de reciclagem mecânica, temos desde a fiação à peça final que é enviada ao consumidor. Em todas estas fases temos uma equipa que está preocupada e focada em substituir os processos convencionais por processos mais amigos do ambiente», referiu Elsa Parente.

Valérius expande projetos

Por exemplo, enumerou a CEO da RDD, a Valérius tem um projeto previsto para «reutilizar até 70% de água» e no âmbito do projeto 360º está a recolher os desperdícios do corte nas várias unidades do grupo, mas também junto de outras empresas. «Estamos a alargar a outras zonas da Europa e do mundo», indicou Elsa Parente. Além deste tipo de desperdício, a empresa está recolher peças não vendidas e malha não usada. «As marcas que nos contactam olham para nós como uma solução para um problema que elas não sabiam como resolver, porque não podem vender porque o design já não está adequado com a época e com a tendência que existe neste momento ou porque as cores também estão fora de estação. Elas olham para nós quase como a salvação», explicou a CEO da RDD.

Valérius 360º [©Valérius 360º]
O projeto 360º neste momento tem duas vertentes, sendo uma a têxtil, em que a empresa tem uma capacidade de produção de seis toneladas de fios com recurso a matérias recicladas, e uma segunda voltada para o papel, cuja capacidade produtiva será de 20 toneladas. «Com o desperdício que não conseguimos utilizar para produzir fios vamos produzir papel 100% reciclado – até ao final deste ano a unidade fica pronta», revelou.

A Valérius está ainda a reforçar o projeto que tem na área do tingimento com recurso a desperdícios provenientes da indústria agroalimentar e está a implementar ações para avaliar o ciclo de vida do produto. «Conseguimos comparar emissão de carbono, pegada hídrica, consumos de energia, e podemos, na fase de desenvolvimento, tomar decisões em função de todos estes consumos», garantiu Elsa Parente.

Um exemplo, entre muitas outras empresas, de boas práticas na indústria, como realçou Ana Paula Dinis, acrescentando, no entanto, que «quem comanda a necessidade também é quem desenvolve as coleções» e que «se do lado das marcas não há interesse nisso, não vamos trilhar este caminho em conjunto. O grande desafio aqui é unir as pontas da cadeia, sensibilizar os consumidores, mostrar que é possível fazer isto, conhecer estas boas práticas e as vantagens que estas práticas têm».