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ITV mexicana mais competitiva

A indústria têxtil e de vestuário (ITV) mexicana, a segunda maior da América Latina, pode dar trabalho a um milhão de pessoas se for introduzida uma série de medidas para impulsionar a sua competitividade e aumentar as exportações para os EUA, acredita Rodolfo Garcia Muriel, presidente da principal associação têxtil do país, a Canaintex. A indústria espera que o governo apoie a nova iniciativa do sector para reduzir o comércio, em expansão, de bens contrafeitos (que representam 70% das vendas), baptizada “Tolerância Zero”. «Vamos intensificar as nossas iniciativas de combate ao contrabando e aprofundar a nossa colaboração com o governo para continuar a perseguir e a capturar importadores ilegais», refere um porta-voz da Canaintex. Actualmente, a ITV do México emprega cerca de 500 mil trabalhadores. Garcia tem esperança que esse valor chegue ao milhão no médio prazo. Segundo afirma, o aumento dos salários na Ásia está a abrir «uma janela de oportunidade» para o país ganhar novos contractos de sourcing de marcas de vestuário dos EUA e da Europa, ansiosas por tirar a produção da Ásia. Miguel Angel Andreu, director do Insituto Textil, um “think thank” da indústria, considera que o objectivo de um milhão de empregos é demasiado optimista mas que o sector pode gerar significativamente mais postos de trabalho se os produtores americanos contratarem produtores mexicanos “chave na mão”, que podem entregar rapidamente as encomendas. «Actualmente as empresas americanas querem cortar custos, por isso o México é uma óptima alternativa já que estamos apenas a três dias do país», sublinha Andreu. Mais investimento precisa-se A indústria, contudo, tem de trabalhar mais para melhorar as suas vendas para os compradores americanos. É necessário mais investimento para melhorar a qualidade e design e formar trabalhadores para responder às necessidades de «resposta rápida» das marcas americanas. Para isso, a indústria lançou recentemente um programa de formação de trabalhadores baptizado Mi Taller (O Meu Workshop) através do qual espera melhorar o talento e a capacidade da força de trabalho de fazer produtos mais inovadores e de gama alta para os clientes americanos. O México tem ainda de competir com a América Central para ganhar os compradores americanos. A região da América Central tem sido destacada recentemente como um óptimo destino para os produtores americanos interessados em beneficiar do acordo de comércio livre DR-CAFTA e a indústria desta área está a trabalhar para ganhar o negócio americano. A resposta do México à América Central é o México Fits, um plano para promover as suas capacidades em têxteis e vestuário junto dos clientes americanos. Como parte do México Fits, as principais empresas de resposta total do país estarão na edição de Agosto da Magic, em Las Vegas, segundo a Canaintex. Garcia considera também que é crucial dar mais financiamento aos produtores numa altura em que os preços do algodão continuam em alta. O México deve igualmente aumentar a sua produção de algodão para se tornar auto-suficiente, numa altura em que o país tem o potencial para fazer 2 milhões de fardos e faz apenas 600 mil agora, destacou Garcia. Este ano, a indústria está a enfrentar um crescimento mais lento devido às menores importações dos EUA provocadas pela incerteza da recuperação económica. No geral, o volume de negócios deve aumentar 4% a 5% em comparação com um aumento de 6% no ano passado, tendo em conta que a procura local está a descer, numa altura em que a economia mexicana está mais fraca. Os observadores esperam que as exportações têxteis aumentem 20% em 2011, em comparação com um aumento de 40% em 2010, quando a procura nos EUA subiu entre esperanças de uma recuperação económica rápida.