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ITV nacional impressiona estrangeiros

As visitas à Riopele, Pedrosa & Rodrigues, RDD e Valérius 360 causaram um forte impacto nos jovens designers europeus pelo avançado nível tecnológico e preocupação com a sustentabilidade ambiental e social, com muitos a prometerem voltar como clientes num futuro próximo.

Riopele [©ModaPortugal/Dulce Daniel]

A visita a empresas da indústria têxtil e vestuário é já um ponto obrigatório no programa dos jovens designers que participam no Concurso Europeu de Jovens Designers, uma iniciativa promovida no âmbito do projeto ModaPortugal, que pretende «valorizar o design de moda e o talento, mostrar aos novos talentos internacionais aquilo que fazemos e, acima de tudo, criar pontes para o futuro», como explicou o presidente do CENIT, Luís Hall Figueiredo.

Pontes que são bem-vindas, inclusivamente do lado da indústria. «As escolas de moda fazem um belíssimo trabalho no sentido de estimular a criação e até o conhecimento técnico, conceptual dos alunos. Contudo, há uma realidade concreta que apenas é observável quando se está próximo de quem faz. Acho que por mais completas e mais ricas que sejam estas formações na moda, sem experiência na indústria, sem conhecer, sem ir a uma fábrica e ver os diferentes passos que são necessários para executar um produto, dificilmente se compreende realmente a moda na totalidade. Eu acho que esta experiência da fábrica é tão formativa como a academia, por isso, todas as iniciativas que nós recebemos de escolas são recebidas de portas abertas aqui na Pedrosa& Rodrigues», afirmou, ao Portugal Têxtil, Ana Pedrosa Rodrigues, administradora da empresa de confeção.

Pedrosa & Rodrigues – Ana Pedrosa Rodrigues [©ModaPortugal/Dulce Daniel]
Um sentimento partilhado, e elogiado, pelos designers. «Tinha já visitado algumas fábricas têxteis em Itália e trabalhei numa tricotagem em França, mas desconhecia o elevado nível de industrialização do sector em Portugal. Senti-me especialmente contagiada pelo entusiasmo com que Ana Pedrosa Rodrigues nos fez descobrir a Pedrosa & Rodrigues, via-se que estava orgulhosa da empresa e que havia um interesse profundo pela mesma, algo mais do que “business is business”. Em particular, as respostas que deu às questões colocadas pelo nosso grupo mostrava um sério conhecimento profissional, surpreendente em alguém que parecia tão jovem. Conhecer pessoas assim dá-nos realmente vontade de trabalhar nesta indústria», revelou Albane de Saint Laurent, do Institut Français de la Mode.

Valérius [©ModaPortugal/Dulce Daniel]
Jovens designers que nunca tinham visitado uma unidade industrial, como Tara Mabiala, da Head Genève, ficaram impressionados com a indústria nacional. «Fiquei muito surpreendida com a velocidade de produção na Riopele, como funcionam as máquinas para produzir o fio e o tecido», acrescentou a colega Claire Lefevre.

RDD [©ModaPortugal/Dulce Daniel]
E o universo do grupo Valérius, em especial a Valérius 360, foi igualmente surpreendente. «Ignorava como era realizada a reciclagem têxtil e fiquei deveras impressionada com o que tive oportunidade de conhecer na Valérius 360, incluindo a moderna tecnologia que dispõe», confessou Jisoo Baik, do Institut Français de la Mode. «Espero futuramente incorporar, nas minhas coleções, têxteis reciclados como os que vi serem produzidos na Valérius 360», admitiu Zhao Jianqing, da Polimoda.

«Fiquei impressionado, no geral, em como a indústria têxtil portuguesa é moderna e aberta. Todas as empresas que visitámos mostraram-se muito preocupadas em reduzir a pegada de moda no ambiente», resumiu Paulo Mileu, também da Polimoda.