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ITV Portuguesa debatida na Tunísia

A cidade de Hammamet na Tunísia, foi palco da Conferência Anual do Têxtil e do Vestuário (CATH 2001), para debater a ITV local, onde foi convidado pelo Ministério da Indústria tunisino Paulo Vaz, director-geral da APIM (e colunista do JT) para apresentar o caso português, considerado um exemplo a seguir por aquele país. Paulo Vaz falou sobre a experiência da ITV portuguesa, no que diz respeito à sua passagem de uma indústria de subcontratação para uma Indústria apoiada na moda, nas marcas e nas colecções. Referiu que tem sido um processo difícil e ainda em curso, onde subsistem realidades diversas e que, como tal, podem confundir quem o analisa. Na realidade, e segundo Paulo Vaz, «não existe pior situação do que um momento de transição, a passagem de um modelo económico para outro, com todos os custos e traumatismos que isso provoca». Paulo Vaz, delineou um breve trajecto da Têxtil portuguesa nas últimas quatro décadas. A Indústria Têxtil e do Vestuário portuguesa nasceu e cresceu na base da subcontratação, que se sofisticou com a experiência e o «savoir faire» adquiridos ao longo de décadas, ao ponto de hoje já não existirem praticamente empresas que executem CMT para clientes externos. Actualmente o padrão é a «private label», o que pressupõe a existência de competências internas para conceber e produzir colecções com «design» próprio, bem como o desenvolvimento de produtos em parceria com os clientes. Finalmente, um número crescente de empresas encontra-se a desenvolver as suas próprias etiquetas, procurando assim atingir directamente os pontos de venda e ganhar notoriedade no mercado e no consumidor final. Quanto ao desenvolvimento de canais de distribuição, próprios ou sob o seu controlo, implica que as empresas tenham capacidade de ser bem sucedidas no seu próprio mercado interno, antes de experimentarem a internacionalização. No caso português, este é um caminho especialmente árduo, pois a reduzida dimensão do país e do seu mercado de consumo, aliás fortemente concorrido pelas grandes cadeias internacionais, é um factor de grande limitação a essas aspirações. Acresce a todo este cenário de profunda mudança no Sector Têxtil e do Vestuário português, a clara afirmação do que podemos chamar de «cluster» de moda, onde se agrupa a criatividade dos designers nacionais, a excelência da indústria e o interesse da distribuição, que vai procurando os respectivos segmentos para afirmar a moda genuinamente portuguesa. Possuir um «savoir-faire» e ter tradição industrial, é para Paulo Vaz, o melhor «background» para a indispensável inovação e reactividade, elementos essenciais para o serviço ao cliente e para a transmutação da actividade produtiva comercial.