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ITV portuguesa traça cenário pessimista

O inquérito, realizado pelo CENIT em parceria com a ANIVEC, revela o enorme impacto negativo que a Covid-19 está a ter no volume de negócios, produção, encomendas e emprego. Entre as 162 empresas inquiridas, apenas 22% não pensam recorrer ao lay-off.

Face ao surto do novo coronavírus, cuja abrangência global tem um impacto significativo e imprevisível na indústria têxtil, vestuário e moda portuguesa, o CENIT em parceria com a ANIVEC lançou, na segunda metade de março, o inquérito “Covid-19: Impacto potencial e necessidades”, com o objetivo de avaliar o impacto e recolher informação sobre as necessidades das empresas na sequência desta pandemia.

O inquérito contou com a participação de 162 empresas, cujos contributos foram incluídos num relatório final que está agora a ser divulgado, e cujo documento pode consultar no link do final deste artigo.

A situação do volume de negócios, que já no conjunto dos meses de janeiro e fevereiro apresentava uma tendência negativa, com uma proporção de 63% das empresas a experienciar uma descida, situação particularmente visível nas empresas de vestuário, registou um agravamento, com 87% das empresas inquiridas a verificar uma quebra neste indicador.

O mesmo acontece em relação ao volume de produção. Apesar da predominância de empresas a reportar a diminuição do volume de produção nos dois primeiros meses do ano (59%), constata-se ainda alguma estabilidade neste indicador. No entanto, em março assistiu-se a uma quebra significativa no volume de produção, com 85% das empresas a assumir uma descida neste indicador.

O número de encomendas estava a evidenciar uma evolução negativa entre janeiro e fevereiro, com 29% das empresas a indicar uma quebra superior a 20% em relação a igual período de 2019. O mês de março veio acentuar profundamente esta tendência, com 72% das empresas a referir quebras superiores a 20% no número de encomendas.

Apesar de existir uma tendência para a diminuição no número de pessoas ao serviço logo nos dois primeiros meses do ano (com mais empresas a reportar redução do que empresas a reportar aumento), a grande maioria das respostas apontava no sentido da estabilização deste indicador (60% das respostas). Em março verifica-se praticamente uma eliminação do aumento deste indicador, acompanhada por uma baixa na proporção das empresas que reportava a manutenção do número de trabalhadores (passou para 56%) e um aumento na proporção de empresas que prevê a diminuição do seu efetivo.

Incerteza no horizonte

Para abril, maio e junho, as perspetivas das empresas para os indicadores de desempenho são absolutamente devastadoras, com praticamente 100% das empresas a evoluir negativamente e uma proporção de 60% a assumir quebras que ultrapassam os 50%.

Em termos do número de funcionários, as perspetivas das empresas têxteis, vestuário e moda são ligeiramente menos pessimistas, com uma proporção de 40% destas a perspetivar a manutenção dos atuais postos de trabalho, enquanto mais de 50% das inquiridas a estimar uma redução do seu efetivo.

Procurando averiguar as expetativas das empresas sobre o lay-off, verifica-se, com base nas respostas obtidas, que 46% das empresas pensam adotar o regime geral, enquanto 32% somente o parcial. Apenas 22% das inquiridas não planeiam a adoção deste regime. De salientar que é entre as empresas do sector têxtil que mais se verifica a preferência pelo lay-off em regime parcial, enquanto no vestuário optam mais pelo lay-off em regime geral.

Para informação mais detalhada sobre os resultados obtidos no inquérito “Covid-19: Impacto potencial e necessidades” poderá aceder ao relatório clicando aqui.