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ITV portuguesa vai para fora cá dentro

Na 53.ª edição, e sem sair do Aeroporto do Porto, o Modtissimo colocou a moda no ar durante dois dias e as coleções dos produtores nacionais partiram na mala dos visitantes internacionais para diferentes continentes, desde os marroquinos aos americanos e japoneses.

O piso das partidas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro voltou a ser pequeno para acolher todos os interessados em marcar presença na 53.ª edição do Modtissimo. O salão português dedicado à indústria têxtil e vestuário ocupou cerca de 4.500 metros quadrados, divididos entre os tecidos, a confeção e a moda infantil, que nesta edição subiu também ao piso das partidas – nas edições anteriores estava nas chegadas – e esteve lado com a confeção de adulto.

Paulo Melo, presidente da ATP, com a comitiva marroquina

Nos corredores, o corrupio habitual de compradores manteve-se nos dois dias do certame – que terminou hoje – entre portugueses, que são ainda a maioria dos estimados 6.000 visitantes, e estrangeiros das mais diversas nacionalidades – incluindo a delegação de empresários e representantes oficiais marroquinos – que levaram contactos e amostras do “made in Portugal”.

«Perante alguns sinais de abrandamento do mercado, havia alguma apreensão, mas o movimento foi muito grande. Tivemos mais expositores e mais visitantes», revela ao Portugal Têxtil Manuel Serrão, CEO da Associação Selectiva Moda, acrescentando que o número de visitantes internacionais aumentou 20% face à edição de fevereiro de 2018. «Vamos recolher com mais calma as opiniões dos expositores, mas o feedback imediato é que estão satisfeitos», destaca, adiantando ainda que depois do regresso à Alfândega do Porto em setembro, em fevereiro de 2020 o Aeroporto voltará a ser a casa do Modtissimo.

Expositores convencidos

«Tivemos aqui austríacos, alemães, checos e, obviamente, muitos portugueses», enumera Daniela Sampaio, diretora de exportação da RDD. «A nova coleção tem sido um grande sucesso, elogiam muito os nossos acabamentos», acrescenta.

Dolores Gouveia e Daniela Sampaio (RDD)

A empresa mostrou a coleção para a primavera-verão 2020, onde se evidenciam diversas tonalidades de branco, coral e vermelho. «Há também alguns destaques em termos dos efeitos visuais, designadamente tudo o que é enrugado e plissado, mas também algumas estruturas delicadas mas orgânicas. Em termos de superfície, destacaria a dualidade em termos de toques: por um lado, um muito seco e com base em fios crepe; por outro lado, superfícies muito lisas e até lustrosas, com os nossos mercerizados», aponta Dolores Gouveia, diretora de marketing e desenvolvimento.

Manuela Araújo (Lemar)

Entre os tecidos, a aposta nos artigos mais sustentáveis foi uma constante, desde a gama Reborn da Penteadora, feita a partir da recuperação dos desperdícios da fiação do grupo Paulo de Oliveira, aos reciclados da Lemar, feitos, por exemplo, a partir de Seaqual, que é produzido com plástico recuperado do fundo do mar. «As pessoas estão a pedir muito este tipo de artigo», confirma Manuela Araújo, CEO da empresa.

A mesma tendência, com produtos diferentes, foi seguida no vestuário. Na Orfama, os produtos com certificação GOTS, com algodão e poliéster reciclado e ainda caxemira reciclada encheram as medidas aos compradores, juntamente com o know-how e a relação qualidade-preço da produtora de malhas fully fashion.

António Cunha (Orfama)
Paulo Faria (Paula Borges)
Susana Costa, Francisca Poças e Ana Silva (Lectra)

«Tive aqui clientes americanos que estão a fazer na China e que querem produzir em Portugal precisamente porque a China já não é aquilo que era», refere ao Portugal Têxtil António Cunha, sales area manager.

Na Paula Borges, é também a qualidade que fala mais alto. «Holanda, Dinamarca e também Bélgica, nomeadamente com designers, estão a voltar em força», enumera Paulo Faria, diretor comercial da empresa que produz a marca própria epónima e para nomes reputados como a Hermès.

O Modtissimo foi ainda o local escolhido para lançar novidades e inovações, como foi o caso da Lectra.

«Estamos a apresentar uma nova solução, que é completamente integrada, desde o momento em que se faz a encomenda até ao corte final do tecido. Temos três modelos de negócio: MTO, que é para pequenas séries; MTC, que é com personalização; e MTM, que é feito à medida», explica Susana Costa, field marketing manager. «Estar no Modtissimo é sempre muito bom. Esta solução é nova no mercado e é do nosso interesse estar em todo o tipo de feiras do sector», indica.

Sob o signo da inovação

A inovação esteve igualmente em evidência no iTechStyle Showcase, promovido pelo Citeve, que nesta edição do Modtissimo se instalou junto à entrada para as portas de embarque, num espaço dividido entre tecidos, produtos e acessórios.

Com os vencedores dos iTechStyle Awards de 2018 ainda no segredo dos deuses – serão revelados no próximo mês de abril, durante a iTechStyle Summit – os primeiros nomeados para 2019 foram hoje conhecidos.

iTechStyle Showcase

Tapa Costuras by Brandbias, com um conjunto de running feminino composto por parka, top e leggings, Pafil – Confecções, com um casaco que permite o controlo da temperatura através de uma app no smartphone, Flexefelina, com o guarda-sol iParasol, e a Têxteis Penedo, com um tecido jacquard em 100% algodão com alta densidade de fios e sem rapport que permite a reprodução de uma imagem ou fotografia com grande nitidez, foram os eleitos em termos de produtos.

Nos tecidos, os nomeados são a Tintex, com uma malha que combina o poliéster reciclado Repreve com a tecnologia B.Cork, a Samofil, com uma malha com um filamento inteligente que muda de incolor para colorido sob luz solar ou UV, a A. Sampaio & Filhos, com uma malha com gestão da humidade e temperatura, e a Adalberto, com um tecido com dupla estampagem.

Já nos acessórios, foram distinguidas três empresas: a Fitexar, com um fio de poliéster reciclado biodegradável e antiestático; a Heliotêxtil, com uma banda elástica sublimada com sistema Rfid ou NFC que permite a monitorização de pessoas em eventos; e a Brave Particle, com um sistema de iluminação sem fios aplicado em têxteis.

Techtextil e Texprocess a postos

Entre as ações paralelas que preencheram os dois dias do Modtissimo destacou-se a apresentação das feiras Techtextil e Texprocess. Os dois certames organizados pela Messe Frankfurt realizam-se de dois em dois anos e a 14 de maio abrem as portas durante quatro dias para acolherem os expositores de têxteis técnicos e de soluções de processamento têxtil, respetivamente. Ainda sem números fechados, a organização prevê um novo recorde para os dois certames, que em 2017 contaram com 1.789 expositores de 66 países.

Conferência de imprensa Techtextil/Texprocess

Na Texprocess, as grandes tendências, tanto ao nível do consumidor como da indústria, estão a ser acompanhadas e, por isso, a edição deste ano dará particular relevância à digitalização e à automatização, com cinco microfábricas – a última foi adicionada apenas há uma semana.

Na Techtextil, os expositores direcionados para os produtos industriais serão os mais representados (perto de 250), seguidos da área Clothtech (vestuário) e Buildtech (construção). As novidades passam ainda pelo Techtextil Symposium, que nesta edição se transforma em Techtextil Forum e será gratuito, permitindo ainda – por se realizar no mesmo local da feira – que os expositores possam assistir a uma ou mais intervenções.

Cristina Motta (Messe Frankfurt Portugal)

Na conferência de imprensa que se realizou hoje para apresentação destas alterações, Michael Jänecke, diretor das feiras Techtextil e Texprocess da Messe Frankfurt, e Veronika März, diretora da VDMA – Associação Alemã de Tecnologia Têxtil, insistiram na preparação prévia de expositores e visitantes. «Não é possível visitar a Techtextil em apenas um dia. É preciso, pelo menos dois dias», referiu Michael Jänecke. «E visitem os dois certames», acrescentou Veronika März.

«As expectativas para as feiras são muito boas, como sempre. Neste momento já temos, de Portugal, 25 empresas confirmadas  e 404 metros quadrados de área na Techtextil e três empresas na área da Texprocess. Há uma empresa pela primeira vez, a Lasembor, com 156 metros quadrados e, portanto, vamos ter um incremento nesta feira», revela ao Portugal Têxtil Cristina Motta, representante da Messe Frankfurt em Portugal. «Para nós é importante estar aqui no Modtissimo. É importante para nos mostrarmos, mas também importante no sentido em que, tendo eu escritório em Lisboa, encontro a indústria, os potenciais clientes e o networking tudo num sítio», resume Cristina Motta.