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ITV reconhece grande potencial na nanotecnologia

Todos já tivemos a aborrecida experiência de ficar com uma nódoa na roupa durante o dia de trabalho, normalmente de gordura. Quanto mais se tenta limpar pior é o resultado e a única solução é recorrer à lavandaria. Esta situação pode estar brevemente resolvida, pelo menos para os homens. Desde o início desta época que o grupo Brinkmann comercializa através da sua marca Bugatti, fatos e gravatas cuja superfície através da utilização da nanotecnologia, repele a sujidade. «Basta por um pouco de água na nódoa, limpar e já está», explica Stephan Horst, responsável pelo marketing da Bugatti. Apesar da mais valia os fatos e gravatas com a etiqueta nano-protection não são mais caros do que os artigos convencionais: uma gravata de seda custa 39,95 euros e um fato 299 euros.

Apesar de a nanotecnologia estar ainda numa fase inicial e de todas as possibilidades não estarem exploradas, o significado económico desta tecnologia não deve ser subestimado. «Dentro de dez anos os lucros gerados pelos nano-produtos devem alcançar mil milhões de dólares», afirma Horst. Qual a dimensão do potencial da tecnologia foi o tema de discussão de um simpósio realizada em Estugarda. Na opinião do Dr. Thomas Stegmaier, do Instituto de Engenharia Têxtil, «esta técnica pode ir muito para além da protecção de nódoas e da sujidade». A nanotecnologia oferece a possibilidade de equipar os têxteis com camadas funcionais ultrafinas e transparentes com propriedade inovadoras ou pelo menos melhoradas.

Também se podem modificar propriedades básicas dos produtos e fibras, como por exemplo, as camadas superficiais. Existe a possibilidade de revestir fibras podendo assim obter, entre outros efeitos, a auto-limpeza. Podem trabalhar-se pigmentos de forma a obter, por exemplo, um tecido que repele água, óleo e sujidade ou também com propriedades anti-bacterianas.

«A nanotecnologia é uma revolução na área dos acabamentos», afirma Stefan Lörke, director de produto na Schöffel. Actualmente, já não é impensável empregar a nanotecnologia apenas no vestuário desportivo. No vestuário outdoor as propriedades funcionais de hidrofobia, humidificação ou protecção contra os raios UV e odores serão cada vez mais importantes. «Nos produtos actualmente disponíveis a propriedade hidrofóbica desaparecia após cinco a dez lavagens. Nos nano-produtos esta propriedade mantém-se durante 50 lavagens». Para impedir o aparecimento de odores existia, até há bem pouco tempo, quase só a possibilidade de um acabamento químico. Com o revestimento de prata através da nanotecnologia consegue-se o mesmo efeito sem recorrer à química. Também no vestuário de protecção e de trabalho a nanotecnologia poderá ter um papel muito importante no futuro.

Contudo, existe ainda um obstáculo: «o conceito nanotecologia abarca muita coisa que nada tem a ver com a nanotecnologia», afirma Lörse. O Instituto Hohensteiner está a criar uma etiqueta de qualidade para os nano-produtos. «Será assim possível saber se os produtos foram elaborados através da nanotecnologia ou simplesmente através da química», explica Dr. Jan Beringer do Instituto Hohensteiner. No entanto, o rótulo só deverá estar disponível dentre de um ano.