Início Arquivo

ITV sob fogo

Os produtores de vestuário do Bangladesh temem que a agitação política leve os compradores estrangeiros a colocar as encomendas noutros países, já que têm dificuldades em cumprir as encomendas dentro dos prazos. As greves gerais significaram que muitos exportadores de vestuário não tenham conseguido cumprir os prazos de envio, enquanto outros tiveram de recorrer ao transporte aéreo, mais caro, aumentando os custos gerais de produção. «O custo geral de produção no sector do vestuário aumentou em 20% a 25%, devido à recente agitação política e às frequentes greves gerais», explicou Atiqul Islam, presidente eleito da Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh (Apevb). Segundo Islam, alguns dos compradores estrangeiros cancelaram ou suspenderam as suas visitas ao Bangladesh. «Muitos deles já ameaçaram cancelar envios e encomendas», referiu. Siddiqur Rahman, vice-presidente de saída da Apevb, indicou que embora o sector de pronto-a-vestir não esteja incluído na greve geral, o transporte de vestuário está. «Por isso é muito difícil cumprir os prazos de envio», acrescentou. Rahman destacou que os prazos são essenciais, já que mesmo uma hora de atraso no envio pode aumentar a possibilidade de descontos, cancelamentos, pagamentos adiados e prejuízos. De acordo com as estatísticas da Federação da Câmara de Comércio e Indústria do Bangladesh, o país perde 20 mil milhões de takas (cerca de 200 milhões de euros) por cada dia de greve. Desse prejuízo, o sector de pronto-a-vestir representa 3,6 mil milhões de takas por dia. Um responsável da Apevb revelou que os mais de 5.000 negócios de pronto-a-vestir do país perderam 1,5 mil milhões de takas por dia de greve na interrupção da produção. Os exportadores de vestuário estão também preocupados que a continuação das greves gerais possa levar os compradores e retalhistas mundiais a transferirem as suas encomendas para outros países como o Camboja e o Vietname. «Os compradores pensam agora mudar as suas encomendas do Bangladesh para outros destinos como o Camboja e o Vietname, já que têm medo que os exportadores do Bangladesh possam não ser capazes de fazer os envios a tempo devido à agitação política», revelou Fazlul Hoque, ex-presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Vestuário em Malha do Bangladesh. Hoque também afirmou que os compradores podem não interromper as suas encomendas completamente mas podem diversificar ou reduzi-las por causa da incerteza. As dificuldades estão a ser agravadas pelas questões macroeconómicas nos dois principais mercados de exportação de vestuário do Bangladesh: os EUA e a União Europeia. O governo e o sector privado estão a tentar diversificar os mercados e identificaram a Austrália, Brasil, Chile, China, Índia, Coreia, México, Rússia, África do Sul e Turquia como mercados emergentes para o vestuário confecionado no Bangladesh. Os esforços de diversificação do mercado em curso podem ser contrariados pela agitação política e pela continuação das greves gerais, afirmou Hoque, acrescentando que novos compradores de mercados emergentes podem hesitar em colocar encomendas no Bangladesh. A atual violência política e greves gerais têm afetado todas as atividades do sector do vestuário, incluindo a importação de matérias-primas e o envio de produtos. A abertura de letras de crédito para tecidos, acessórios e outros produtos da indústria de vestuário, assim como para de fios de algodão caiu, em fevereiro, para 425,87 milhões de dólares (332,58 milhões de euros) e 25,47 milhões de dólares, respetivamente, em comparação com os 655,95 milhões de dólares e 34 milhões de dólares no mês anterior, segundo o Banco do Bangladesh. «A tendência de quebra na abertura de letras de crédito em comparação com as importações pode continuar até a atual situação política de confronto melhorar», indicou um responsável sénior de um banco comercial. A mesma fonte afirmou que as batalhas políticas geradas pelos vereditos do Tribunal Penal Internacional e a questão do «governo cuidador» desencorajaram os negócios a importarem diferentes matérias-primas durante o mês.