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ITV vê luz no fim do túnel da pandemia

O mais recente inquérito da ITMF mostra que a queda das vendas da indústria têxtil e vestuário no ano passado não foi tão grave como a esperada em abril de 2020, mas ainda assim foi uma das piores de que há registo. As empresas estão, no entanto, à espera de uma forte recuperação em 2021 e 2022.

O sétimo inquérito da ITMF – International Textile Manufacturers Federation sobre o impacto do novo coronavírus mostra que, com base nas respostas fornecidas entre 25 de janeiro e 10 de março de 196 inquiridos, constituídos por membros da ITMF e empresas e associações afiliadas, as vendas mundiais de têxteis e vestuário baixaram 9% em 2020 em comparação com 2019, tornando o ano passado num dos piores da história para a globalidade da indústria têxtil e vestuário. Na Europa, a queda foi superior à média mundial, atingindo os 11%, ainda assim melhor do que o inicialmente previsto.

Embora a descida das vendas tenha sido significativamente melhor do que a queda média esperada no terceiro inquérito, que apontava para menos 33%, em abril de 2020, o ano passado continuou a ser um dos piores de que há registo na indústria têxtil e vestuário mundial, indica a ITMF.

Em comparação com as expectativas reveladas no sexto inquérito da ITMF, realizado entre 20 de novembro e 14 de dezembro, as vendas em 2020 foram melhores em 3 pontos percentuais – a expectativa era de uma queda de 12%.

«Como seria esperado, toda a cadeia de valor têxtil foi fortemente atingida pela pandemia, incluindo os produtores de maquinaria têxtil», salienta a ITMF. «Praticamente todos os segmentos em análise foram negativamente afetados, em diferentes graus, em 2020», acrescenta.

A queda mais acentuada foi na área da produção de químicos para a indústria têxtil e vestuário, com uma descida de 20%, seguida dos produtores de tecidos e malhas (-15%) e das empresas de acabamentos e estamparia (-13%). As fiações que responderam ao inquérito dão conta de uma descida média de 7%, os produtores de maquinaria de 6% e os produtores de vestuário de uma diminuição de 4%.

As únicas duas áreas com resultados positivos foram a produção de fibras, com uma subida de 10%, e a produção de não-tecidos, que não registaram alteração.

«Pode assumir-se que estes dois segmentos beneficiaram da extraordinária procura de máscaras em 2020, que compensou, em grande parte, a perda registada noutras áreas, como o automóvel ou o vestuário», justifica a ITMF. «Para 2021 e os próximos anos até 2024, as expectativas de volume de negócios são positivas e, no geral, não mudaram em comparação com os inquéritos anteriores», revela a federação.

A nível mundial, as expectativas de vendas são particularmente fortes para 2021 e 2022, uma indicação de que as empresas esperam uma forte recuperação, refere o ITMF. Em 2023 e 204 o crescimento deverá ser menos significativo.

Analisando as diferentes regiões, a previsão mais positiva surge por parte das empresas em África, com um aumento projetado de 31% até 2024, enquanto noutras regiões esse crescimento varia entre 12% e 21%.

Na Europa, onde a ITMF inclui também a Turquia, o aumento esperado em comparação com 2019 ronda os 5% em 2021 os 10% em 2022. Em 2023, e continuando a comparar com 2019, a subida é de 11% e em 2024 de 12%.