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ITV vietnamita de vento em popa

A indústria têxtil e vestuário do Vietname deverá prosperar nos próximos anos. A subida de gama na confeção, os acordos de comércio livre e a procura interna por vestuário deverão alimentar o crescimento.

Entre 2016 e 2020, a produção de vestuário no Vietname deverá aumentar, em média, 12% a 14% anualmente. As exportações deverão crescer 15% ao ano e, como resultado, deverão atingir 50 mil milhões de dólares até 2020 – em comparação com 28 mil milhões de dólares em 2016, segundo o novo estudo da Textiles Intelligence, publicado na mais recente edição da Textile Outlook International.

Para atingir estas metas, no entanto, será necessário implementar diversas políticas, afirma a Textiles Intelligence. Para começar, as empresas vietnamitas terão de mudar o seu foco da produção de vestuário em CMT (corte, confeção e acabamento de vestuário), em que funcionam simplesmente como subcontratados para empresas internacionais, para a incorporação de mais serviços e lidar diretamente com os compradores estrangeiros.

Adicionalmente, o sector precisa de passar da produção de vestuário de gama baixa para a gama alta, com maior valor acrescentado. É necessário também haver uma mudança para um sourcing mais eficiente através da integração vertical, assim como uma melhoria na produtividade, privilegiando a investigação, formação e desenvolvimento.

«A indústria já começou a realizar investimentos significativos nas suas instalações têxteis. Por exemplo, o Vietname foi o segundo maior investidor em teares sem lançadeira entre os países membros da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) entre 2006 e 2015. Além disso, foi o maior investidor entre estes países em fiações de anel e rotores open-end», refere o estudo, apontando ainda que «houve também uma expansão acentuada no sector da tricotagem».

O desenvolvimento da indústria tem sido apoiado pelo governo, que encorajou elevados níveis de investimento – sobretudo de investidores estrangeiros –, está a promover a modernização da indústria, com marcas como a Adidas, a Puma, a Nike e a Gap a ganharem maior dinamismo no país, e negociou vários acordos de comércio livre. Contudo, nem todas as exportações de vestuário do Vietname beneficiam de taxas preferenciais sob os acordos de comércio livre porque muitos deles estipulam a utilização de tecidos produzidos localmente – e uma grande proporção dos tecidos usados na produção de vestuário no Vietname são importados. A produção de tecido do país representou cerca de 15% das necessidades da indústria de vestuário local em 2015.

Irão ainda surgir oportunidades significativas no mercado interno, que está a ser alimentado por uma população jovem, cada vez mais urbana, pelo aumento do rendimento pessoal disponível e pela continuidade do forte crescimento económico. As vendas a retalho no Vietname deverão crescer 20% ao ano, sendo o vestuário a segunda categoria com maior consumo.