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ITVC regressa às feiras

Ainda no meio da pandemia, a indústria têxtil, vestuário e calçado está a retomar a participação em feiras profissionais e volta com boas impressões, confirmando a importância do contacto físico para o negócio.

Milano Unica [©Milano Unica]

Meses depois da última viagem e com um confinamento que praticamente parou o negócio da moda, várias empresas regressaram às feiras profissionais ao longo do verão.

Gabriela Melo (Somelos Tecidos)

«O contacto físico com o cliente, o estar à frente dele, por muito que o mundo possa evoluir tecnologicamente, [o digital] não é a mesma coisa. Não há nada no mundo que venha substituir a interação física», afirma, ao Jornal Têxtil, Gabriela Melo, diretora de criação e design da Somelos Tecidos, que participou, em setembro, na Fabric Days, em Munique, e na Milano Unica, em Milão.

A Albano Morgado esteve igualmente presente em ambas as feiras e partilha a mesma visão. «São a melhor forma de contactar com o cliente e, sobretudo, de o cliente contactar com o tecido, a questão da análise da textura, etc., que é sempre importante na apresentação da coleção.

Baltazar Lopes (Albano Morgado)

Vamos continuar a apostar em feiras desde que haja condições sanitárias para que elas aconteçam», assegura o administrador Baltazar Lopes.

Para a marca de moda feminina Cristina Barros, a participação numa feira física, no caso a Styl, que decorreu de 22 a 24 de agosto, permitiu consolidar um percurso de oito anos «em que estamos com o nosso showroom permanente na República Checa», explica Marco Costa, diretor comercial e financeiro da marca.

Marco Costa (Cristina Barros)

«O crescimento que temos tido ao longo destes quatro anos advém exatamente da nossa capacidade de arriscar», assume, por seu lado, Alfredo Moreira, cofundador e co-CEO da marca de moda de criança Baby Gi, que por isso não hesitou em confirmar desde cedo a sua presença na Supreme Kids, que teve lugar em Munique de 14 a 16 de agosto.

Alfredo Moreira (Baby Gi)

Uma estreia que «correu bem», afirma Alfredo Moreira, que destaca as regras de segurança e higiene em vigor e o foco no mercado alemão, com visitantes igualmente da Polónia e da Áustria, que fizeram encomendas, «ainda pontuais», ressalva.

Também na Fabric Days o balanço foi positivo e até superior às expectativas para as empresas portuguesas. «Tendo em conta as atuais circunstâncias, o balanço foi positivo. O número de visitas foi acima das nossas expectativas, confirmando a tendência na procura de artigos sustentáveis», assegura Carlos Serra, CEO da Troficolor.

«Fomos para a feira crentes de que íamos ter um resultado médio e foi isso que aconteceu», conta, por seu lado, Carlos Coutinho, diretor de exportação da Vilartex.

Carlos Serra (Troficolor)

«A maior parte dos visitantes era alemã, algumas marcas que trabalham connosco visitaram-nos, mas também falharam algumas marcas», aponta.

Contudo, a feira foi importante para a empresa, até porque «temos cada vez mais pedidos de clientes», numa altura em que se «nota no mercado que as marcas estão a tentar reagir», acrescenta.

Carlos Coutinho (Vilartex)

A Gallery, que se realizou uns dias antes da Fabric Days, de 30 de agosto a 1 de setembro, deu igualmente boas indicações. «Superou largamente as expectativas. Foi um shot de motivação e otimismo para este período de vendas num momento de tanta incerteza. Tivemos uma feira com bastante movimento, com vários novos clientes para além dos atuais. Acima de tudo, vimos entusiasmo e vontade dos clientes de comprar a nova coleção e dar um passo em frente», conta Pedro Lopes, brand manager da marca de calçado e vestuário Ambitious, que tem participado ainda noutras feiras locais e regionais e se prepara para marcar presença na Micam.

Pedro Lopes (Ambitious)

Em Milão, mas na Milano Unica, a Somelos Tecidos foi «bem recebida», garante Gabriela Melo. «A feira foi produtiva, superou as nossas expectativas. Achávamos que não íamos ter tantos clientes como tivemos», sublinha, apontando contactos sobretudo de italianos, mas também franceses, belgas, suíços e do Norte da Europa.

Apesar da maior parte das empresas estar a avançar no digital, quer com o desenvolvimento de plataformas próprias – como a Somelos Tecidos, que lançou a Somelos Digi para apresentar, de forma virtual, a coleção aos clientes – ou com a presença na edição digital de feiras profissionais – como a da Market Week, dedicada aos têxteis-lar, onde a Lameirinho irá apresentar uma mostra virtual sob o mote “Let’s bring New York to Portugal” –, as feiras físicas são ainda o palco privilegiado.

Paulo Coelho Lima (Lameirinho)

«Continuamos a dar a máxima importância ao contacto pessoal com os nossos clientes, quer através de feiras ou de visitas. Este cenário de reuniões ou mostras virtuais vão complementar toda a relação que temos com os nossos parceiros e negócios em geral, vão ajudar-nos a preparar melhor as visitas, podemos trocar impressões com o nosso cliente sobre produto, à distância de um “click”», aponta Paulo Coelho Lima, administrador da Lameirinho, que está já confirmada na Heimtextil 2021. «A decisão de avançar com a participação nesta mostra era obrigatória – se a feira se realizar, a Lameirinho não poderia deixar de marcar presença», garante.