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«Já temos dificuldades em encontrar quadros médios»

No Fórum Económico Famalicão Made IN, que decorreu ontem na Casa das Artes da cidade, empresários, políticos e economistas falaram de exportações de valor é de crescimento.

Daqui a 20 anos, as empresas portuguesas, que estão agora a crescer, podem sofrer com a falta de recursos humanos (RH) qualificados. Durante o Fórum Económico Famalicão Made IN, organizado pela autarquia e pelo jornal Eco, Isabel Furtado, administradora executiva do grupo TMG afirmou que «os RH ainda não são um problema, mas podem ser, num futuro muito breve. Já temos dificuldade em encontrar quadros médios. Mesmo querendo pessoas para trabalhar, não as encontramos. Os jovens não estão tão motivados para trabalhar e, muitas vezes, a culpa é dos pais, que não os fazem sair para a vida».

No mesmo debate, Pedro Carreira, presidente da Continental Mabor, defendeu que «daqui a 20 anos acho que vai difícil ter jovens para alimentar a taxa de crescimento que vamos ter. Não basta formar, é preciso mais crianças».

Para Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, «ainda registamos alguma desvantagem no mercado de trabalho em termos de formação face a outros países. Mas esta nova geração é a melhor de sempre, só que estamos com dificuldades em conduzi-los para as necessidades das empresas».

Isabel Furtado, por sua vez, alertou para o facto de existirem «políticas contraditórias», que não ajudam a que o conhecimento tenha um valor mais concreto. «O docente cresce com papers, mas se esse conhecimento não for transformado num bem não acrescenta nada à economia», explicou a empresária.

António Ramalho, CEO do Novo Banco, deu conta de mudanças na estrutura das exportações nacionais. «Toda esta zona [Famalicão] é um dos grandes centros de exportações. Mas, além do turismo e transportes, temos o sector agrícola a crescer muito e com uma competitividade que, se calhar, há 15 ou 20 anos não conseguíamos antecipar», salientou.

Paulo Cunha, presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão, revelou que o concelho já está a atrair pessoas de fora. «As pessoas não estão destinadas a viver num sítio. Escolhem onde querem ficar. E nós conseguimos disputar isto com Braga, Guimarães, Porto», acrescentou. O autarca reconheceu ainda que «os estímulos fiscais a nível local têm, por vezes, um impacto ainda maior do que os nacionais».

Exportações e geopolítica

O ex-ministro Paulo Portas falou de geopolítica e economia e comparou a América e a Europa. «Porque é que os EUA se safam melhor na globalização e digitalização? Porque são muito flexíveis, não dependem do governo, têm impostos baixos e proteção social baixa. Na Europa é o contrário. Um americano muda 11 vezes de emprego na vida. Um europeu em média 4. E o investimento em pesquisa e desenvolvimento é o dobro da Europa», referiu.

Já o atual conselheiro da Mota-Engil afirmou que a Europa está fora da Liga dos Campeões na inovação face a empresas americanas e chinesas. E, explicou, «uma coisa é a globalização e outra é a digitalização, mas uma parte dos populistas culpam a primeira por coisas da segunda, como a substituição do fator humano pelo tecnológico».

Paulo Portas falou ainda de África e de como a parte do continente «que funciona é a que não tem petróleo nem gás» porque construiu outro modelo.

Ricardo Reis, economista, por sua vez, realçou que a evolução das exportações «é o único caminho possível para Portugal e o que vemos é que são empresas que aprendem a lidar com mercados. As exportações cresceram e Famalicão está na dianteira disto».

No encerramento do evento, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, elogiou a zona de Famalicão que «dá um contributo decisivo» para as exportações nacionais. O governante deu conta ainda de uma transformação no sector têxtil, que é um «segmento de futuro». «Esta região conseguiu, durante a crise, até sobreviver melhor do que outras», realçou Caldeira Cabral.