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Janeiro contraria época promocional

O Natal dá início a um forte período de liquidação de stock, acompanhado por uma redução dos preços que se arrasta até fevereiro. Contudo, o primeiro mês de 2020 parece ter contrariado a tendência, com uma subida de 0,7%, dos preços do vestuário no retalho, onde o segmento para mulher foi exceção.

O Gabinete de Estatística Laboral (BLS, na sigla original) nos EUA registou um aumento do Índice de Preços do Consumidor (IPC) de 0,7% em janeiro, comparativamente a dezembro. Esta evolução foi liderada pelo crescimento de 2,3% nos preços do vestuário masculino, 1,8% no segmento de raparigas e 1,2% na roupa para bebés e crianças. Do outro lado da balança, está o vestuário de mulher, com uma quebra de preços de 0,1%, e o de rapazes, cujo decréscimo chegou aos 5,8%.

Dentro do segmento de mulher, a descida dos preços em janeiro foi dominada pelo outerwear, com uma queda de 5,5% relativamente a dezembro, seguido pelos vestidos (menos 2,3%) e conjuntos e individuais de fato (0,7%). O único sector que registou uma subida de preços foi a categoria da roupa interior, de dormir, de banho e acessórios, com um acréscimo de 3,5%.

Vários executivos consideram que a economia mundial atravessa uma fase atípica, durante a qual as tarifas de 7,5% sobre as importações americanas da China – acordadas na primeira fase do acordo comercial – podem vir a pesar sobre os níveis de preços do consumo.

Remessas da China em queda

O custo do artigo é geralmente influenciado pelo local de produção, que, nos últimos tempos, tem vindo a sofrer grandes alterações, devido à procura global pela diversificação do aprovisionamento, potenciada pela guerra comercial. Além disso, as empresas que iniciam este processo de deslocalização do aprovisionamento ficam sujeitas a absorver custos adicionais, ainda que os salários da mão de obra se situem no mesmo patamar.

«Muitas vezes há uma diferença notória dentro de uma mesma categoria relativamente ao local onde são produzidos os artigos para homem e mulher», explica Julia Hughes, presidente da Associação da Indústria da Moda dos EUA. «Tem muito que ver com os tipos de tecido que estão a ser usados no vestuário para cada um dos géneros e com as quantidades exigidas, assim como com as fábricas mais bem equipadas para produzir estes bens», afirma.

Numa das maiores categorias – calças de ganga para mulher e rapariga – as importações para os EUA refletiram oscilações significativas em 2019. As remessas deste artigo a partir da China caíram 21,2%, para 511,77 milhões de dólares, enquanto as do Vietname subiram 34,23% para 270,77 milhões de dólares, segundo o Departamento de Têxteis e Vestuário dos EUA (OTEXA, na sigla original).

Em terceiro lugar no ranking de maiores mercados fornecedores dos EUA vem o Bangladesh, com um aumento de 0,9%, para 233,05 milhões de dólares, no ano passado. Entre os restantes países que compõem o top 10 desta lista, as subidas registaram-se no Paquistão, Camboja e Sri Lanka, enquanto no México, Egito, Indonésia e Jordânia houve um decréscimo.

Apesar de não tão acentuado, o declínio chinês mantém-se noutras categorias. Nos vestidos, as importações a partir da China sofreram uma queda de 7,98%, para 1,69 mil milhões de dólares, em 2019, tendência transversal às remessas do Vietname, que diminuíram 1,79%, para 751,61 milhões de dólares, bem como às das Filipinas, Camboja e Bangladesh. As importações da Indonésia estagnaram nos 332,49 milhões de dólares. Em oposição, as importações da Índia subiram 11,61%, para 447,37 milhões de dólares, assim como as de Itália, que cresceram 0,71%, para 124,8 milhões de dólares, com o Sri Lanka com mais 5,78 milhões de dólares e a Turquia que deu um salto de 34,82%, para 60,41 milhões de dólares.

Nas saias, as remessas chinesas caíram apenas 1,19%, para 283,19 milhões de dólares, em 2019, uma quebra menos acentuada do que os 3,71% do Vietname. No entanto, os seus cinco concorrentes mais próximos evoluíram no sentido contrário, a começar pela Índia, com uma subida de 24,49% para 51,55 milhões de dólares, seguida pelo Bangladesh (46,79 milhões de dólares), Indonésia, Camboja e Turquia.

No segmento dos sutiãs, as importações da China, em 2019, baixaram 6,72%, para 847,7 milhões de dólares, enquanto os seus cinco maiores concorrentes evidenciaram acréscimos. O Vietname lidera a tabela, com remessas de 320,08 milhões de dólares (uma subida de 5,66%), seguindo-se o Sri Lanka com 241 milhões de dólares (1,56%), a Indonésia com 168,75 milhões de dólares (10,59%), a Tailândia com 105,39 milhões de dólares (25%) e o Bangladesh com 88,84 milhões de dólares (10,94%).

Contexto geral

No contexto geral americano, o IPC subiu 0,1% em janeiro, numa base de ajuste sazonal, depois da taxa de crescimento de 0,2% em dezembro. Esta oscilação reflete a evolução dos últimos 12 meses, em que o IPC aumentou 2,5%, numa base não-ajustada.

O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) conheceu uma variação homóloga de 0,1% em dezembro e 0,2% em janeiro. A par dos índices de abrigo e assistência médica, os segmentos do vestuário, lazer, educação e viagens aéreas também verificaram uma aceleração da inflação no mês de janeiro. Em sentido contrário, estiverem os sectores dos carros e camiões usados, medicamentos prescritos, seguros de veículos a motor, móveis e operações domésticas.

Deste modo, o indicador de inflação subjacente aumentou 2,5% nos 12 meses que terminaram em janeiro, a maior subida desde outubro de 2018.