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Japão quer diminuir importações da China

Os compradores de vestuário na UE e nos EUA poderão enfrentar custos mais elevados no Bangladesh e no Sudeste Asiático, se o Japão avançar com as medidas para desviar um terço do seu aprovisionamento de têxteis e vestuário provenientes da China». No entanto, apesar de oferecer a perspectiva de novos negócios para muitas fábricas da ásia, vai demorar muito tempo e esforço para que os concorrentes asiáticos da China assegurem vendas substanciais para o Japão, conforme considera a empresa britânica de consultoria Clothesource. Estes comentários surgem após Shigeru Takagi, director do gabinete de comércio internacional têxtil e vestuário do Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês, informar que o Império do Sol Nascente quer reduzir as suas importações de vestuário e têxteis, com origem na China, da sua actual quota de 77% para 50%. Se isso acontecer, poderá transformar a rentabilidade de muitas fábricas de vestuário no Bangladesh e no Sudeste Asiático – por muito longa que a actual recessão seja», afirma Mike Flanagan, presidente-executivo da Clothesource. O Japão importa praticamente toda a roupa que veste e 93% dessas importações de vestuário são provenientes da China. Apenas 7% das suas importações de vestuário provêm do Sudeste Asiático ou Bangladesh – os países com os quais o Japão tem, ou está a negociar, acordos para a importação de vestuário isentas de taxas. Deslocar um terço das importações de roupas do Japão para esses países poderia significar um aumento de 400% nas suas exportações de vestuário para o Japão e, em alguns casos, poderá vir a duplicar as suas vendas totais de roupa». Flanagan também questiona a facilidade com que a política governamental influencia os compradores de vestuário do Japão e quanto tempo levariam às fábricas asiáticas para que as suas operações fiquem ao nível exigido pelos compradores japoneses. Os cambojanos descobriram que os japoneses querem o dobro do número de pessoal de controlo na linha de produção, em relação aos compradores europeus ou americanos», explica Flanagan. Isto acrescenta custos – e melhorar operações demora tempo. O Japão não vai poupar, este ano, as fábricas asiáticas dos problemas da queda de encomendas europeias ou americanas. Mas, para as fábricas que sobreviverem este ano, chegar aos padrões japoneses será uma verdadeira melhoria no lucro dos anos seguintes». Em última análise, poderão mesmo vir a existir fábricas na Tailândia, Camboja, Indonésia e Bangladesh capazes de se dar ao luxo de afastar alguns negócios americanos ou europeus», conclui o presidente-executivo da Clothesource.