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Japoneses fogem do luxo

As importações de artigos de luxo no Japão apresentaram uma quebra de 10% no primeiro trimestre de 2009, ao passo que as vendas de artigos de luxo do conglomerado LVMH apresentaram uma quebra de 18%. Segundo um estudo realizado pela conceituada empresa de consultoria McKinsey, dedicado ao mercado japonês de artigos de luxo, estes valores não são apenas motivados pelo momento actual. é uma tendência de veio para ficar neste mercado», afirmou Brian Salsberg, responsável do estudo. O mercado japonês de artigos de luxo é o segundo maior do mundo e considerado pelas grandes casas de moda como o mercado prioritário devido à rapidez com que estes consumidores adoptavam novas tendências. As etapas da evolução dos mercados de consumo de artigos de luxo, fazendo-se o paralelo com os EUA e a Europa, parecem assim replicar-se no até agora resistente mercado japonês. Nos mercados ocidentais, os consumidores mais afluentes passavam das marcas mais reconhecidas como é o caso da Armani, para marcas mais de nicho como a Balenciaga para acabarem a comprar na Gap, Topshop ou Zara. Se esta alteração dos hábitos do consumo demorou décadas neste mercado, os japoneses, como sempre, fizeram-no muito mais rapidamente e em apenas alguns anos. Estas notícias são, assim, bastante negativas para as marcas do segmento do luxo que sempre dependeram dos “aficionados” clientes asiáticos para uma parte muito significativa das suas receitas. Caso esta mudança se consubstancie numa redução efectiva das compras de artigos de luxo durante os próximos meses, as perspectivas para os mercados emergentes poderão, assim, ser penalizadoras para as grandes casas de moda mundiais. Os consumidores chineses, a grande aposta destes conglomerados para os próximos anos, têm por tradição mimetizar os seus homólogos japoneses no que concerne a hábitos de consumo. Esta mudança nos hábitos de compra japoneses, ao serem copiados no mercado chinês, poderá inviabilizar a continuidade da quantidade considerável de lojas que estão a abrir em cidades chinesas de 2ª ou 3ª linha. O Japão tornou-se, em termos mundiais, o “único mercado de massas de artigos de luxo” durante as décadas de 80 e 90, à medida que os consumidores daquele país viam na posse de uma mala Louis Vuitton ou de um lenço Hermés um rito de passagem da classe média para a classe alta. Nos últimos anos, os consumidores de artigos de luxo começaram a “misturar” peças de maior valor com outras mais baratas e comercializadas pelos retalhistas da fast-fashion. Este fenómeno, misturado pela “competição” dos serviços de luxo como os restaurantes de gama alta e os Spas, fez com que este tipo de consumidores destinasse às marcas de moda de luxo uma percentagem cada vez mais reduzida do seu orçamento. Depois de uma década em que marcas como a Louis Vuitton, a Dior, a Balenciaga e a Gucci foram atrás de uma “bolha do luxo”, estimulada pelo crédito fácil e pelo apelo do marketing, o tempo será agora de reposicionamento dessas mesmas marcas e do próprio conceito de luxo, que terá que ser necessariamente mais exclusivo e detentor de valor intrínseco.