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JF Almeida aposta na reciclagem

A especialista em roupa de banho usou o fio 360, produzido na sua fiação, que aproveita os desperdícios da tecelagem, para fabricar as toalhas da nova coleção.

Os fios 360 foram apresentados em setembro último na Première Vision Paris e agora foi a vez de darem origem a um produto acabado – as toalhas – que se estrearam, com sucesso, na Heimtextil 2019.

«Já aplicámos nas toalhas de felpo e estamos a aplicar também em tecidos não felpo. Mas estamos numa fase inicial», revela Joaquim Almeida, CEO da JF Almeida. «É um produto que lançámos há muito pouco tempo», sublinha. «Fizemos uma parceria com uma empresa espanhola para recuperação do desperdício – a matéria-prima é nossa, eles só fazem a recuperação – e depois fiamos na nossa fiação», explica ao Jornal Têxtil.

Nos dias da Heimtextil, o CEO da JF Almeida sentiu «muita procura e muita expectativa também».

Sustentabilidade nos produtos e processos

As novas toalhas são a resposta da produtora de felpos às tendências de mercado. «O mercado começa a pedir e, uma vez que temos mercado para isso e temos também outros produtos, obrigatoriamente leva-nos a apostar nesta área», acrescenta. O portefólio de produtos sustentáveis inclui também tapetes para casa de banho.

A aposta da JF Almeida na sustentabilidade não se fica pelos produtos, refletindo-se igualmente nos processos. «Temos feito um trabalho com muito sucesso na tinturaria, por exemplo, desde a redução do consumo de água à energia», assegura Joaquim Almeida.

Atualmente, a tecnologia de tingimento utiliza menos água e produtos auxiliares. Como tal, «são máquinas que consomem menos energia e produzem muito mais», indica.

Aliás, é na energia que a empresa tem concentrado vários dos seus investimentos, juntando a ecologia à economia. «É um dos problemas do nosso país e está a ser um grande problema para a nossa indústria. Temos custos energéticos muito elevados, temos custos com o tratamento da água muito elevados. Com a agravante de que parece que ainda estamos num país terceiro-mundista, porque quando queremos tratar da nossa água não nos deixam», afirma o empresário.

2018 de boas memórias

Os investimentos e as novas apostas da JF Almeida, que emprega diretamente 640 pessoas, permitiu gerar um crescimento de 30% em 2018 face a 2017, com a empresa a terminar o ano com um volume de negócios a rondar os 57 milhões de euros. «2018 foi um ano muitíssimo bom», reconhece Joaquim Almeida.

Itália foi o principal mercado no ano passado, seguido de França, Espanha, Alemanha e Inglaterra. «Estamos em 35 países», aponta o CEO da JF Almeida, que exporta 95% de tudo o que produz.

O objetivo, agora, passa essencialmente pela manutenção. «Temos sempre os pés bem assentes no chão. Queremos consolidar, e se possível crescer, como é óbvio, nos mercados que temos. Claro que, se houver oportunidades em novos mercados, lá estaremos», garante.

Na JF Almeida, os clientes são, sobretudo, de quantidades maiores, ficando os retalhistas mais pequenos a cargo de outra empresa do grupo, a Mi Casa Es Tu Casa, que tem a marca própria epónima. «A JF Almeida não pode estar aí. A JF Almeida tem de estar em produções muito mais altas», assume.

40 anos em 2019

No ano do 40.º aniversário da empresa, Joaquim Almeida tem boas perspetivas para o negócio que fundou. «Eu próprio sou muito otimista, felizmente, mas ainda estamos a começar 2019. Temos algumas coisas em cima da mesa que, se pegarem, irão fazer com que volte a ser um grande ano e, se não pegarem, pode ser um ano menos bom. Mas está tudo controlado», assegura.

Já no plano global, nomeadamente em termos internacionais, a visão é menos positiva. «Aí já não estou tão otimista, tenho algum receio. Vemos o que se está a passar em França, que é preocupante, e vê-se o mercado a cair. O problema da Inglaterra, que é um grande mercado têxtil, Espanha também já teve melhores dias… Começa a preocupar um bocado, mas vamos ver», conclui o CEO da JF Almeida.