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JF Almeida cresce 30% nos fios

A área de negócios dos fios da JF Almeida somou mais 1,5 milhões de euros em 2018, elevando a faturação para 6,5 milhões de euros. Um crescimento alavancado pelas exportações e pela inovação, onde se incluem projetos como o fio 360 JFA e o recente iHeatex, para têxteis-lar, que está em fase de desenvolvimento.

João Almeida

A Dinamarca é, atualmente, o principal mercado de exportação para os fios produzidos pela JF Almeida, seguida de Espanha, Itália e México, e foi um dos países onde a empresa mais cresceu. «A Dinamarca cresceu bastante, assim como o México. E este ano também começou muito bem, principalmente para a Dinamarca», reforça o administrador João Almeida.

Foi apenas há cerca de 10 anos que a empresa de têxteis-lar decidiu apostar na venda de fios para terceiros – inicialmente a fiação tinha como único objetivo suprir as necessidades internas –, mas este negócio representou em 2018 cerca de 12% da faturação do grupo, situando-se em 6,5 milhões de euros. Em comparação com 2017 «houve um aumento de 31%», revela João Almeida.

Cerca de 12% da produção de fios teve como destino os mercados internacionais, onde a empresa espera crescer, até porque sentiu-se alguma retração em Portugal. «Aconteceu muito porque as nossas marcas e os nossos produtores nacionais dependem muito do grupo Inditex, que está a fugir cada vez mais para mercados como a Turquia e o Bangladesh. E sentiu-se mais no último trimestre», analisa o administrador da JF Almeida.

Este ano, as baterias estão, por isso, apontadas para França, que é «um mercado prioritário», mas não só. «Queremos fortalecer os mercados que já temos e tentar abrir as portas no Norte e no Leste da Europa, nomeadamente Noruega, Polónia, Lituânia, Letónia e, se conseguíssemos, na Rússia», enumera.

Passos para cumprir as metas estipuladas para o corrente ano. «Em 2019 queremos aumentar o volume de negócios e procurar novos clientes, porque o ano vai ser de recessão, principalmente em Portugal. Por isso temos que procurar outros clientes, na Europa e na América. Precisamos diversificar, senão todo o investimento que temos efetuado poderá ser perdido», explica João Almeida ao Portugal Têxtil.

iHeatex desenvolve felpos quentes

Entre os projetos de sucesso da empresa estão o fio space dyeing Papilio e o mais recente 360 JFA, produzido a partir dos desperdícios recuperados na própria empresa.

Em curso está agora o iHeatex, para desenvolver felpos multifuncionais. Comparticipado pelo Portugal 2020, o projeto, que implica um investimento total de 691 mil euros, pretende criar «um felpo que aquece e seca rapidamente», adianta o administrador da JF Almeida. «Por exemplo, estamos a desenvolver um robe que tem fios condutores e uma pequena bateria. Quando a pessoa se limpa, esses fios condutores reagem e isso faz com que aqueça o felpo e seque mais rápido, além de conferir conforto. Estamos também a desenvolver uns chinelos em felpo em que a bateria está ligada e depois de desligar, durante bastante tempo, os chinelos mantêm-se quentes», exemplifica.

Em fase de desenvolvimento dos fios condutores, em parceria com o CITEVE e o CeNTI, o iHeatex tem como um dos desafios a criação de uma bateria mais pequena, «para ser incorporada dentro do felpo, estar sempre a trabalhar e o consumidor não notar», esclarece João Almeida, que avança que estão igualmente a estudar o cliente-alvo. «Fizemos um inquérito a todos os nossos clientes. Há aqueles clientes de grandes superfícies a quem não interessa esse tipo de produto, porque é caro. Por isso estamos a começar a entrar em nichos de mercado que tenham interesse. Não temos um mercado efetivo – sabemos que o mercado francês usa, gosta e consome esse tipo de produtos. Mas se calhar vai ser uma linha só para venda online. Tudo depende do preço final que vai ter. Ainda temos mais três anos pela frente», conclui o administrador da JF Almeida.