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JF Almeida ganha mais cor

O negócio de fios do grupo JF Almeida continua a dar voz à sustentabilidade, com o novo corante 100% natural, e à inovação, com um fio que muda de cor sob radiação solar, que deixaram os compradores «fascinados» na mais recente edição da Première Vision.

João Almeida

Desde o lançamento do fio reciclado 360, em fevereiro deste ano, resultante do aproveitamento dos desperdícios têxteis da tecelagem para criar novos fios, que a JF Almeida continua a investir no sentido de uma economia circular. Apresentada na Premère Vision, em Paris, entre os dias 17 e 19 de setembro, a nova coleção de fios da empresa traz «um corante 100% natural, porque não gasta químicos para o tingimento», revela João Almeida. «São corantes baseados no desperdício da fruta, da casca da laranja, da casca da amêndoa, de plantas que têm uma cromofobia muito grande, como a beterraba», explica ao Portugal Têxtil. A empresa extrai «a parte cromófoba desse tipo de produto e transformamos isso em corante», acrescenta o administrador, ressalvando que a cor assume uma solidez mais fraca do que num tingimento convencional.

Mas as novidades não se deixam ficar por aí. A JF Almeida apresentou também um fio que muda de cor à luz do sol. «É um fio completamente cru, se for visto a uma luz normal, mas ao sol, muda de cor» para azul, vermelho ou amarelo, afirma João Almeida, sem deixar de admitir que se trata de um processo ainda muito virgem, mas os clientes parecem estar bastante recetivos às novidades. «Tivemos aqui um cliente internacional que ficou fascinado», garante.

Apesar disso, o administrador assume que «as pessoas ficam um pouco desanimadas» quando se fala da qualidade e do preço do produto reciclado, já que este nunca terá a mesma qualidade que o produto novo, para além de ser mais caro. Contudo, mesmo a nível interno, a empresa está cada vez mais empenhada em trabalhar ao nível da sustentabilidade e da economia circular. Todo o desperdício resultante dos processos produtivos é reaproveitado e inserido noutras fases da produção ou atividades a ela associadas. «Todo o nosso saco [onde seguem os fios] que vai para os clientes é 100% reciclado», destaca o administrador. Além disso, todo o grupo está concentrado na aplicação de políticas de otimização dos processos produtivos e reutilização da água, que o impulsiona cada vez mais no sentido da redução da sua pegada ambiental.

Crescer além-fronteiras

Já no terceiro ano consecutivo presente na Première Vision Paris, João Almeida faz um balanço positivo desta edição de setembro, afirmando que a empresa já recebeu contactos «tanto de agentes como de clientes de diversos países». Até agora, o mercado principal da JF Almeida concentra-se na Escandinávia, nomeadamente Dinamarca, e na Polónia. A América do Sul também está em crescente evolução, com destaque para a Colômbia e o México.

No entanto, a empresa espera aumentar a quota de exportação do negócio dos fios de 13% para 25%. Este processo passará pela sua expansão para novos mercados, entre os quais está a França, que o administrador considera ainda estar «muito virgem» para trabalhar.

Até agora, a procura por novos mercados está a ser acompanhada por um aumento da capacidade produtiva. «Na área da tinturaria são 200 toneladas por mês, na fiação 850 toneladas por mês, nos acabamentos são 900 toneladas por mês e na área da tecelagem são 500 toneladas por mês», enumera o administrador. Este esforço foi apoiado pelo investimento em maquinaria de tingimento, secagem, otimização e acabamento, que este ano contabilizará 7 milhões de euros, bem como pelo aumento do número de trabalhadores para 671 pessoas.

Deste modo, a empresa espera fechar o ano mantendo a taxa de crescimento atual, que se situa nos 8% – uma queda de 13% face a 2018. «O mercado nacional está completamente saturado», afirma o administrador, pelo que o objetivo atual é «angariar novos clientes», através da exportação, e «fortalecer os que já temos», conclui.