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JF Almeida inova com tingimento sustentável

A produtora de têxteis-lar desenvolveu um processo de tingimento natural que usa restos de folhas de chá. O Infusion, como foi batizado, é sustentável e foi certificado pela SGS, estando atualmente a ser apresentado, e a ser bem recebido, pelos clientes.

Juliana Almeida

O desenvolvimento foi realizado completamente dentro de portas, explica Juliana Almeida, administradora da JF Almeida, ao Portugal Têxtil. «[O Infusion] surgiu de uma ideia do nosso departamento de I&D com o objetivo de responder à necessidade de prestar aos nossos clientes um tingimento sustentável. Há, no mercado, alguns produtos naturais, mas o processo não é assim tão natural, enquanto o Infusion é 100% natural e sustentável», destaca.

O processo, que está certificado pela SGS, usa resíduos de folhas de chá para o tingimento de fibras de algodão e misturas, garantindo, de acordo com a empresa, cores naturais, um impacto ambiental reduzido e qualidade final garantida.

«Este processo não consome químicos nem corantes no processo de tingimento e, além disso, toda a água proveniente do processo de tingimento é aproveitada para a lavagem do resto do processo. Estamos a falar de uma poupança brutal de água também», aponta Juliana Almeida.

Para o desenvolvimento, a JF Almeida investiu «mais em know-how e em matéria-prima do que praticamente em maquinaria», revela a administradora da empresa, que dá conta de uma boa recetividade por parte dos clientes. «[Os têxteis] estão a ser apresentados aos nossos grandes clientes, que estão a ficar perplexos e bastante contentes, pois a necessidade do mercado leva para este tipo de tingimento sustentável», acrescenta.

Num ano que «testou ao limite muitas das nossas crenças, valores e capacidades», como refere Joaquim Almeida, administrador da empresa, numa mensagem de Natal deixada na página de Facebook da empresa, houve coisas positivas. «Fomos surpreendidos por limitações muito diversas que exigiram – e continuarão a exigir – um novo olhar para o nosso mundo e, sobretudo, grande resiliência», afirma. «Na JF Almeida estamos gratos. Reunimos esforços e recursos. Focamo-nos naquilo que sabemos fazer e seguimos em frente, empenhados em satisfazer as necessidades da comunidade em que estamos inseridos», sublinha.

Um propósito que permitiu à empresa recuperar do golpe provocado logo no início da crise – que, segundo adianta Juliana Almeida ao Portugal Têxtil, provocou uma queda de 30% no volume de negócios – e fechar o ano de 2020 com números acima dos do ano anterior. 2021, por isso, deverá ser «um bom ano», acredita a administradora.