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João António Lima Malhas entra no automóvel

Num projeto com a TMG Automotive, a empresa está a produzir malhas para os tabliers de automóveis. A expansão do negócio para uma área nova vem reforçar as competências da João António Lima Malhas na produção de artigos especiais.

Luís Lima

O projeto na área automóvel, que está agora a arrancar, implicou a aquisição de cinco teares para malha interlock, equivalente a um investimento que rondou os 250 mil euros. «São máquinas com a particularidade de fazerem rolos até 100 quilos – o normal é rolos de 20 quilos», esclarece Luís Lima. A capacidade instalada nesta área situa-se nos 600 quilos por dia, com as malhas a serem acabadas pela TMG Automotive. «Esta área é uma garantia de produção e é muito bom para nós. Mas a nossa área é nitidamente a moda», assume o diretor de produção e desenvolvimento da João António Lima Malhas.

Especializada em artigos mais complexos, a João António Lima Malhas tem vindo a fazer investimentos também na produção de malhas para a moda, com as mais recentes compras a incluírem teares jacquards, com jogos grossos para as coleções de inverno, e teares para produção de felpa americana jacquard. «Neste momento só há duas em Portugal, a nossa e uma num dos nossos concorrentes», aponta Luís Lima, que destaca a qualidade do parque de máquinas da empresa. «Ter teares é fácil, ter bons teares é que é difícil. Nós temos 130 bons teares», garante.

Embora não tenha propriamente uma coleção estruturada, a produtora de malhas apresenta regularmente novidades aos clientes. «Não desprezamos o que fizemos há 10 anos. Temos artigos com cinco ou seis anos que continuam a vender. Vamos acrescentando referências. Não fazemos uma coleção, mas apresentamos coisas novas», afirma.

Com 20% de quota de exportação direta, a especialista em tricotagem tem entre os seus clientes marcas de referência, embora a maior parte das vendas seja feita através dos confecionadores portugueses. «Trabalhamos com a Lacoste, Galeries Lafayette, La Redoute, Diesel, muitas vezes não diretamente. Por exemplo, tratamos com a Diesel um pequeno desenvolvimento, mas depois é canalizado pelo confecionador», explica ao Jornal Têxtil.

Rumo à Première Vision

Com algumas feiras no currículo, incluindo em Londres, Milão e Munique, a João António Lima Malhas prepara-se agora para entrar na Première Vision Paris. «À partida, estaremos lá em fevereiro», anuncia Luís Lima. Os esforços comerciais da empresa, que atualmente emprega cerca de 70 pessoas, concentram-se igualmente no contacto direto com os clientes. «Vamos apostar mais no porta a porta porque também começamos a ficar cansados de feiras. Em algumas feiras aparece muita gente mas que não entra no nosso mercado – são designers, freelancers. Não podemos viver com clientes que nos compram um rolo. Assumimos o prejuízo de um rolo – porque um rolo é prejuízo – mas na expectativa de depois recuperá-lo numa produção», afirma o diretor de produção e desenvolvimento.

Pedro Barbosa, Luís Lima, Dina Sousa e Steven Demaegdt

Com um volume de negócios que em 2017 cresceu cerca de 15%, para aproximadamente 13 milhões de euros, a João António Lima Malhas não quer parar o ciclo de crescimento e, por isso, a aposta passa pela produção de artigos especiais. «O que nos dá muito orgulho é estarmos a crescer muito em produtos de valor acrescentado. Estamos a ganhar dinheiro, que é o importante», confessa. «As malhas básicas não dão dinheiro, a concorrência é enorme. Agora, quando vamos para um artigo especializado, o cliente olha para nós não como um fabricante de malhas básicas, mas como um fabricante de malhas especiais, de qualidade. Procura-nos e nós damos respostas. Depois atrás dele vem outro e mais outro e os mercados crescem. Mas temos de estar sempre atentos», assegura Luís Lima.