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João Pereira Guimarães afirma-se nos TT

Com uma história que já vai na terceira geração, a empresa especialista em malhas ketten está a voltar-se cada vez mais para os têxteis técnicos (TT). Uma estratégia que já começa a dar frutos e está a permitir à João Pereira Guimarães enfrentar melhor os desafios impostos pela crise provocada pelo Covid-19 no mercado.

Carolina Guimarães

A entrada de sangue novo na empresa fundada em 1956 está a injetar uma nova dinâmica nos negócios da João Pereira Guimarães. A especialista em malhas ketten tem vindo, no último ano e meio, a adaptar-se à realidade atual e a modernizar-se, sem, contudo, esquecer o passado que a trouxe até aos dias de hoje.

«Temos feito um trabalho de muita reorganização, revitalização e modernização. Para além de se estar a passar tudo para o digital», explica Carolina Guimarães, a neta do fundador, que dirige agora a empresa. O website atualizado é um dos motivos de orgulho, as coleções e os mostruários foram revistos, os emails são «respondidos na hora, há toda uma diferença na aproximação ao cliente», destaca.

O logótipo, no entanto, mantém-se inalterado. «É claramente temporal, nota-se que tem muito as linhas dos anos 50 e 60, mas fiz questão de não mudar. Manter a ligação ao passado é muito importante para mim», afirma.

São, afinal, os «têxteis com história», a assinatura nos cartões de visita, que Carolina Guimarães quer preservar, juntamente com o know-how de décadas em malhas ketten, que saem dos 30 teares da empresa e com o apoio dos seus 15 funcionários, a quem «tenho que dar crédito porque têm reagido muito bem» às mudanças e à nova liderança.

Nova prioridade

A oferta da empresa, que tem capacidade de desenvolvimento de soluções com os clientes, inclui malhas pensadas para o mercado de moda, nomeadamente redes usadas como forros de casacos e calções e malhas piqué, mas, e cada vez mais, artigos técnicos, como abrasivos, velcros, produtos para coletes de proteção e visibilidade, para o automóvel e também malhas acabadas especificamente para estamparia digital direta.

As matérias-primas usadas são, sobretudo, poliamida e poliéster, mas há investimento em novas soluções com valor acrescentado, como os reciclados ou o Cotna, um fio de poliéster com toque de algodão. «Quero trabalhar o athleisure e artigos para desporto com fios que refrescam, que não criam odores», exemplifica.

É nesta área dos artigos técnicos que a empresa, que em 2019 faturou cerca de 700 mil euros, tem crescido e é por aí o futuro, acredita a administradora da João Pereira Guimarães. «O crescimento tem sido com base nos têxteis técnicos, não é com base na moda. A moda não vai ser o normal, vai ser moda no sentido técnico, com produtos mais inovadores, que possam ter valor acrescentado, porque acho impossível competirmos com o que está no Oriente», aponta.

O desafio do Covid-19

A estratégia já comprovou o seu valor durante esta pandemia. Com medidas de segurança reforçadas – incluindo formação e máscaras oferecidas não só a todos os funcionários mas também às suas famílias ainda em meados de março –, a João Pereira Guimarães continua a laborar a 100%, essencialmente para responder às encomendas de têxteis técnicos.

«Neste momento não temos problemas de encomendas porque não estamos muito dependentes do sector do vestuário», reconhece Carolina Guimarães, admitindo que «na parte do vestuário foi uma queda brutal, na ordem dos 80%». Já a procura na «área técnica subiu», adianta.

Com contratos anuais, que podem ser distribuídos por diferentes meses, a empresa enfrenta, porém, alguma incerteza sobre os próximos meses. «Há meses que podem ser muito bons e meses que podem ser muito maus. Abril, para já, está a correr muito bem», assegura.

Depois de se ter dedicado à remodelação das instalações, com a criação de melhores condições para os trabalhadores, «para que se sintam bem na fábrica, se sintam em casa», os objetivos para o futuro passam pela renovação de alguns equipamentos, crescimento moderado e procura de mercados internacionais. Atualmente a empresa concentra os seus clientes na área da moda e dos coletes no mercado português – com exportação indireta que leva os seus artigos, por exemplo, até à polícia grega – e em Marrocos ao nível das malhas para estamparia digital. «Marrocos e o Norte de África vão ser o grande foco nos próximos tempos», assinala Carolina Guimarães.