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João Pereira Guimarães cresce em 2020

A produtora de malhas ketten conseguiu manter a atividade graças aos artigos mais técnicos e compensar as perdas nas vendas para a moda com a malha para máscaras. O período mais calmo permitiu prosseguir com os investimentos e as investidas na internacionalização retomarão em 2022.

Carolina Guimarães

Há um ano, a João Pereira Guimarães estreava-se no Modtissimo e marcava o seu regresso às feiras profissionais para alavancar a internacionalização. Um ano depois, com uma pandemia pelo meio, a empresa adiou, mas não esqueceu, esse objetivo.

«2020 foi um ano de teste a nível comercial para nós», afirma Carolina Guimarães, administradora da produtora de malhas. «O plano era fazer o Modtissimo em modo de teste, para ver qual era a nossa capacidade de responder ao que era pedido, e depois partir para as feiras internacionais», explica ao Portugal Têxtil. «O objetivo para 2021 era internacionalizar e ir a outro tipo de feiras, mas creio que não vai ser possível», acrescenta.

Até lá, há trabalho a ser efetuado para avançar em 2022. «Temos alguma estrutura a trabalhar em sentidos comerciais para conseguir crescer, estamos a fazer a preparação. O trabalho que não está à vista está a ser feito para que depois, em 2022 esperemos, aparecer à luz do dia», adianta Carolina Guimarães.

No ano passado, a empresa conseguiu aumentar o volume de negócios em 10%, encerrando 2020 com um valor próximo dos 800 mil euros. «A perda do vestuário foi compensada pelas máscaras», revela a administradora da João Pereira Guimarães, que estabeleceu uma parceria com a Island Cosmos e juntas produziram máscaras para diversos municípios, como Valongo, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. «Conseguimos dar uma resposta rápida naquele momento porque tínhamos malha em stock», justifica Carolina Guimarães. O negócio, contudo, foi temporário, até porque «uma encomenda substancial para nós é acima de uma tonelada» e uma máscara usa «pouquíssima» malha. «Tínhamos que vender máscaras para Portugal e para o resto da Europa para conseguir viver à custa disso», assume.

Investimentos continuam

Atualmente, as vendas para vestuário de moda mantêm algumas oscilações, fruto do negócio e também dos confinamentos e encerramento de lojas um pouco por todo o mundo, porque embora a empresa venda diretamente apenas para Portugal, a produção tem como destino os mercados externos. «Não chegou ainda ao patamar que representava para nós, mas está com as oscilações normais das estações. Voltar ao normal, só quando as lojas abrirem em pleno», admite.

Já as propostas da João Pereira Guimarães, – que conta com mais de 6.000 referências em catálogo – mais direcionadas para áreas técnicas, como o velcro para a indústria dos abrasivos e malhas para coletes de proteção e visibilidade, conservaram uma procura em alta no ano passado, que prossegue este ano. «A procura ao nível do vestuário de proteção mantém-se, é uma coisa que se continua a utilizar independentemente de estarmos ou não em pandemia e em confinamento», salienta Carolina Guimarães.

O mesmo aconteceu com os investimentos da empresa, que prosseguiram nos últimos 12 meses, nomeadamente a renovação das áreas sociais, para maior conforto dos 15 trabalhadores, e a substituição dos motores dos teares para os tornar mais eficientes em termos energéticos, num investimento na ordem dos 20 mil euros. «Esperamos que dentro de um ano consigamos recuperar o investimento», conclui a administradora.