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Joaps Malhas sem fronteiras

Lituânia e EUA são dois dos mercados em crescimento para a Joaps Malhas, uma expansão que contribuiu para os bons resultados de 2017 e para um início de 2018 promissor, numa altura em que há sangue novo na empresa de tricotagem.

Sara Pinto e Carla Araújo

Os dois países fecham o top cinco dos principais destinos de exportação da produtora de malhas, numa lista encabeçada por França, Reino Unido e Alemanha. «Nos últimos tempos, os EUA estão a procurar muito trabalhar com Portugal», justifica Carla Araújo, responsável de desenvolvimento de produto e marketing da empresa, acrescentando que a Joaps Malhas começou a desenvolver o mercado apenas há um ano. Quanto à Lituânia, a relação é mais longa, com cinco anos de envolvimento, graças sobretudo a «marcas próprias, que não produzem, que gostam das nossas malhas e usam confeções na Lituânia, como por exemplo a sueca Fjällräven», indica.

As feiras têm sido o veículo privilegiado de promoção externa, desde a Ispo Munich à Première Vision Paris. «Foi precisamente com as feiras, essencialmente de moda, com a nossa presença na Première Vision Fabrics, que surgiram clientes como Helmut Lang e Phillip Lim», revela Carla Araújo. A lista, que conta com cerca de 120 clientes ativos em 13 países da Europa e da América, inclui também nomes como a Le Coq Sportif e a Burberry. «Temos uma diversidade muito grande», assume a responsável de desenvolvimento de produto e marketing.

A próxima paragem da especialista em laçadas, que emprega 27 pessoas, deverá ser numa feira na Lituânia. «Provavelmente em outubro vamos fazer [uma feira] em Vilnius, porque temos clientes lá e é interessante para nós», anuncia, por seu lado, Sara Pinto, sócia e assistente de direção da Joaps Malhas.
À presença em feiras somam-se os investimentos em inovação e desenvolvimento de produto, tanto na área da moda – onde as coleções espelham as tendências internacionais, nomeadamente a sustentabilidade, com artigos com matérias-primas orgânicas e recicladas a serem os mais procurados –, como na área mais técnica. «Nos produtos mais funcionais tentamos aliar o conforto à funcionalidade do têxtil, à resistência, à performance. Tentamos introduzir novas fibras que vão existindo no mercado e que oferecem características diferentes – para além da proteção UV e dos antibacterianos, começamos a ver fibras hidratantes, com vitamina E», enumera Sara Pinto.

Atualmente, as vendas da empresa estão divididas em partes iguais entre malha crua e malha acabada, mas a Joaps Malhas quer, cada vez mais, chegar a «marcas mais sustentáveis e de maior valor acrescentado», sublinha Sara Pinto. «O caminho é sempre ver novos acabamentos, novas possibilidades. Gostava muito de criar uma parceria com a Universidade do Minho de forma a dar estágios e a recrutar novos profissionais porque, no fundo, ao contactarmos com gente nova que vem da indústria conseguimos novidades, renovamo-nos», acredita a jovem, que desde setembro do ano passado deixou em pausa uma carreira na medicina para abraçar o negócio têxtil fundado em 1996 pelo pai, Joaquim Pinto. «Acho que cresci mais nestes seis meses na empresa do que nos seis anos na medicina», afirma Sara Pinto. Uma «ótima surpresa, que significa que a empresa tem continuidade e tem tendência para crescer», considera, por seu lado, Carla Araújo.

Em 2017, a Joaps Malhas cresceu 6,9%, para um volume de negócios de 4,6 milhões de euros, e as expectativas para 2018 mantêm-se em alta. «No último ano tivemos um aumento de faturação a nível de exportações de mais de 20%. A nossa perspetiva é aumentar para os 40% na quota de mercado, que hoje em dia é 25%», aponta a responsável de desenvolvimento de produto e marketing. «Gostávamos de manter o crescimento», acrescenta Sara Pinto, que traça como ambição «um crescimento sustentável de 10% a 15% ao ano na faturação global – o nosso objetivo é esse aumento vir principalmente do mercado externo».

Uma meta ambiciosa, mas delineada com os pés bem assentes na terra. «Acho importante continuarmos a trabalhar na exportação, trabalharmos todos os dias para consolidar mercados em que estamos e até conquistar novos, mas tendo sempre presente um desenvolvimento e um crescimento muito sustentado. Acho importante as pessoas terem a consciência do que querem, para onde vão e os meios que têm», conclui Sara Pinto.