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José Pinto Cardoso de volta às feiras

A sentir a retoma dos mercados desde janeiro, a José Pinto Cardoso regressou em força às feiras, estando a relançar a marca própria Pierlorenzo. A empresa especialista na confeção de fatos está ainda a reforçar a aposta no canal online.

Carlos Costa

«O negócio está a crescer», afirma Carlos Costa, diretor comercial da José Pinto Cardoso, que produz diariamente 200 casacos e 300 calças e, com cerca de 200 pessoas, está em busca de novos colaboradores. «Há muita procura e temos que ter soluções para os nossos clientes, que também estão a melhorar as suas vendas e precisam de produto. Temos que acompanhar o mercado», explica ao Jornal Têxtil.

Desde janeiro que a empresa tem sentido uma retoma, fruto de um certo regresso à normalidade após os picos da pandemia. «A economia esteve parada dois anos, os stocks estavam baixos e houve uma procura grande – estamos na área do fato e, consequentemente, na cerimónia, e todo o verão tivemos uma procura grande», indica Carlos Costa. Além disso, acredita, «todo este movimento, a conjuntura geopolítica do planeta, faz com que certos clientes e certos mercados não tenham tanta vontade de comprar na China ou no Extremo Oriente. Querem ter fornecedores mais próximos do seu ponto de venda. Daí as marcas internacionais querem também reforçar a sua presença de produção em Portugal».

As vendas nos primeiros oito meses deste ano terão crescido 10% a 12%, «mas só no final do ano poderemos fazer realmente a média correta. Para já, neste momento, estamos no bom caminho», aponta o diretor comercial, que tem perspetivas positivas para os restantes meses de 2022. «Neste momento temos a produção tomada praticamente até finais de novembro e já com negócios agendados para o próximo ano, portanto, temos as coisas muito em andamento, o que não acontecia há vários anos», revela.

Isto apesar do aumento dos preços, em média de 15%, que a empresa fez. «Tivemos que acompanhar a inflação. Não o fazer era morrer, porque ninguém pode sobreviver muito tempo a produzir abaixo de custo ou a não ganhar dinheiro», admite o diretor comercial. Ainda assim, «parte dos aumentos dos custos vamos absorvê-los, porque entendemos que não podemos repentinamente entrar em pânico. Aumentámos uma parte e outra parte vamos segurar até onde nos for possível», adianta.

Pierlorenzo lá para fora

Cerca de 70% das vendas da José Pinto Cardoso, que tem ainda a licença da marca Miguel Vieira, são realizadas internacionalmente, sobretudo no mercado espanhol, neerlandês e americano, com destaque para o private label, que representa 80% do volume de negócios da empresa. «Agora queremos inverter», anuncia Carlos Costa, que antecipa que a marca possa representar 60% das vendas num prazo de cinco anos. «Vamos criar uma dinâmica de relançar a nossa etiqueta Pierlorenzo e queremos estar, pelo menos, em três ou quatro feiras internacionais», assevera.

O regresso aos certames profissionais, que começou com o Modtissimo, em fevereiro, e prosseguiu em junho com a presença na Society, em Nova Iorque, tem sido, contudo, «um desafio, porque o terreno já não é o mesmo, mas, como tudo na vida, aquilo que é uma adversidade torna-se uma oportunidade e acho que neste momento, com a nossa reformulação de oferta, uma nova dinâmica de produtos e de linhas, estamos em alinhamento com a procura atual, que é a sustentabilidade, com um discurso de novos produtos, com inovação, com design e com cariz de possibilidade de ajudar o nosso planeta», esclarece o diretor comercial.

Nesta área da sustentabilidade, a empresa está a arrancar com o processo de certificação para os reciclados, por exemplo. «Estamos já a usar materiais com fios reciclados e internamente também estamos a criar processos cada vez mais direcionados à reciclagem e a ter uma atitude de economia e de olhar para as coisas de uma forma mais ecológica, mais verde se podemos assim dizer», reconhece.

Ser diferente

Na mira está ainda o reforço do online. «Hoje o digital é muito importante. Trabalhar plataformas business-to-business (B2B) é muito importante, o nosso foco vai ser aí. Estamos a trabalhar no sentido de passar todo este mundo físico para o mundo digital», desvenda o diretor comercial.

Quanto aos mercados, a aposta está no outro lado do Atlântico, nos EUA. «Por causa desta geopolítica e da diferença cambial, vemos que há ali muito potencial para nós. O mercado é muito grande, quero ter lá quatro ou cinco clientes e chega, porque temos uma filosofia de gestão de dividir, não pôr os ovos todos na mesma cesta e, como tal, definimos uma quota para cada mercado e para cada cliente», justifica Carlos Costa.

Para o futuro, o objetivo é «manter uma componente e uma dinâmica muito forte na inovação, porque, para nós, não há dúvida que é o sustentáculo e o garante do nosso futuro. Não parar, querer inovar nos processos de fabrico, na comunicação, no produto. Inovar é ser diferente, é aportar algo de novo, uma história nova, soluções. Tendo essa dinâmica, esse modelo de negócio, o futuro será o futuro», resume o diretor comercial da José Pinto Cardoso.