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José Robalo fala da alegada crise

“A crise do sector têxtil está inserida numa crise global”. Quem o afirma é José Robalo, presidente da Federação da Industria Têxtil e do Vestuário de Portugal em declarações à revista Moda Profissional. A posição da federação relativamente à crise é clara: existe crise no sector têxtil, assim como existe em outros sectores e no resto da Europa. José Robalo afirma que se está a travessar um período difícil em Portugal, mas que o futuro do sector não está comprometido. Esta desconfiança relativamente ao futuro dos têxteis provoca alarido também junto de compradores estrangeiros que começam a interrogar-se sobre se “a nossa indústria tem capacidade para corresponder às solicitações.” O presidente da federação diz ainda que “as pessoas que falam sobre estes assuntos, deviam, antes de mais nada, informar-se pois podem mesmo de forma deliberada estar a prejudicar todo um sector”. Para se tentar resolver, ou pelo menos minimizar o problema, é necessário analisar as empresas caso a caso, não em termos sociais mas em termos de viabilidade pois, “se algumas companhias estão a fechar é porque provavelmente já deviam ter fechado há mais tempo,” e acrescenta que “viabilizá-las com injecções financeiras, não resolvendo os seus problemas de fundo ficou muito caro, pois resolveu-se apenas um problema social e não o empresarial.” Na óptica empresarial, José Robalo concorda que são necessários apoios mas como forma de investimento em incentivos ou estímulos à internacionalização como é o caso do Programa Operacional da Economia (POE). Este responsável defende ainda que é preciso investir na formação profissional e em iniciativas relacionadas com a moda , desenvolvendo os bastidores da confecção. Robalo cita o exemplo da falta de designers industriais em Portugal que “fazem tanta falta e temos de os requisitar ao estrangeiro.” No que diz respeito ao investimento, Robalo defende que “andamos a investir milhões na compra de máquinas, quando se calhar, esse dinheiro devia ser aplicado na valorização dos nossos produtos, na melhoria da nossa moda, da nossa imagem e sobretudo na valorização do nome de Portugal no estrangeiro, para que “made in Portugal” não seja uma menos valia”. Os produtos portugueses não têm muito boa imagem junto dos estrangeiros pois, para eles “Portugal é o vinho do Porto e pouco mais”. Para tentar acabar com esta ideia a federação resolveu fazer uma parceria com a AMPIF, com o ICEP e com a DGI com o intuito de desenvolver um projecto de divulgação da imagem dos produtos portugueses junto dos nossos vizinhos espanhóis. Segundo o presidente da federação o projecto Textvision(uma visão têxtil) é composto por três sub-programas: o Portugal in que está relacionado com a parte publicitária e dos desfiles, o Inprolan que está relacionado com novos produtos e novos métodos de fabricação, e o Ecolan, mais relacionado com o ambiente. Este programa deverá estar concluído em meados de 2003. Robalo mostrou interesse em vender os produtos portugueses na China mas aponta a necessidade de “passar pela Dessus China, onde a Itália tem já está presente com mais de 50 empresas, com o ICEP respectivo a liderar”, acrescentando ainda que a China é um mercado fabuloso afirmando que “só Xangai tem 18 milhões de habitantes oficiais e mais 5 clandestinos”. No que diz respeito ao mercado interno, Robalo salienta a necessidade de protecção do que é nosso. “Ao longo dos últimos anos temos gasto imenso dinheiro com o mercado externo e deixamos o nosso de parte… demos o nosso mercado de mão beijada.”