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JP Gaultier à venda

A empresa de luxo Hermès anunciou que está a negociar a venda dos 45% que detém da marca Jean Paul Gaultier a outros investidores, provavelmente para obter capital que permita financiar o desenvolvimento sua própria marca e evitar, assim, ser engolida pelo gigante LVMH, que já possui cerca de 20% das suas acções. Os candidatos à compra da parte da Hermès elevam-se já a quatro: o grupo espanhol Puig, que detém já as casas de moda Nina Rici e Paco Rabanne; a empresa de luxo suíça Richemont, proprietária das marcas Cartier, Vacheron-Constantin, Piaget, Jaeger-LeCoultre, Montblanc ou ainda Baume & Mercier; o fundo de investimento chinês Fung Capital, propriedade da família Fung que dirige a Li & Fun e que acaba de adquirir a marca de calçado de luxo Robert Clergerie, e a Interparfums, especialista no desenvolvimento e comercialização de perfumes, onde conta com licenças como Mont Blanc, Jimmy Choo, Burberry, Lanvin ou Paul Smith. A parceria entre a Jean Paul Gaultier e a Hermès teve início em 1999. A empresa conseguiu comprar, naquela altura, 35% das acções da marca do “enfant terrible” da moda por 23 milhões de dólares. Mais tarde, elevou a sua participação para os 45%. Entretanto, em 2003, Jean Paul Gaultier tinha sido nomeado director artístico da Hermes, um cargo que foi obrigado a abandonar no ano passado, depois do falecimento de Jean-Louis Dumas, ex-presidente da Hermes, tendo sido substituído por Christophe Lemaire. Os restantes 55% da marca são detidos pelo próprio Jean Paul Gaultier, que deverá ceder uma parte marginal mas mantendo a maioria do capital da casa de moda epónima que fundou há 29 anos. A valorização da marca varia, segundo avança o jornal francês Les Echos, de dezenas de milhões a centenas de milhões de euros. De acordo com os últimos dados publicados, o volume de negócios da Jean Paul Gaultier foi de 22,5 milhões em 2009, mas os analistas apontam para perdas consecutivas nos últimos cinco anos. Actualmente, a marca detém cerca de sete lojas, não produz já a sua segunda linha e a sua oferta de acessórios é limitada. No entanto, tem um negócio que vai de vento em popa: os perfumes (Le Mâle, Madame, Classique,…), que representam hoje cerca de 65% do volume de negócios da Jean Paul Gaultier.